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Infertilidade e idade: o que muda aos 35 e aos 40 anos

Infertilidade e idade — ovário e óvulos em line art dourada sobre fundo escuro, capa editorial

Você já pensou em quando quer ser mãe? Para muitas mulheres, a maternidade fica para depois — depois da carreira, da estabilidade, do momento certo. E não há nada de errado nisso. Porém, existe um fator que não espera: a idade influencia diretamente a fertilidade feminina. Entender o que muda aos 35 e aos 40 anos ajuda você a planejar com informação e a buscar ajuda no momento certo. A informação é a sua melhor aliada nesse processo.

A dificuldade para engravidar é mais comum do que parece. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2023), cerca de 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva enfrenta essa dificuldade em algum momento da vida. Em 2025, a OMS publicou sua primeira diretriz mundial para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade, tratando o tema como questão de saúde pública (Organização Pan-Americana da Saúde, 2025). E a idade é um dos principais fatores envolvidos.

Neste artigo, você vai entender o que acontece com a fertilidade aos 35 e aos 40 anos, quando procurar avaliação e o que pode ser feito. Se você está em Taquara/RS ou região e quer entender melhor a sua saúde reprodutiva, este conteúdo foi pensado para você. Vamos começar pelo básico: o que é infertilidade.

O que é infertilidade?

A infertilidade é definida como a ausência de gestação após um período de tentativas com relações sexuais regulares e sem uso de métodos contraceptivos. Segundo a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO, 2020), esse período é de um ano para mulheres com menos de 35 anos. Para mulheres acima de 35 anos, a avaliação pode ser antecipada para seis meses de tentativa, conforme o American College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG, [s. d.]).

O Ministério da Saúde (2021) reforça essa orientação: a investigação começa após 12 meses de tentativa para mulheres abaixo de 35 anos e após 6 meses para mulheres a partir de 35 anos. Aos 40 anos, o início da avaliação pode ser ainda mais precoce, antes mesmo dos seis meses.

É importante diferenciar dois conceitos. A fecundabilidade é a probabilidade de engravidar em um ciclo menstrual — em torno de 20% para um casal jovem e saudável (FEBRASGO, 2020). Já a fecundidade é a capacidade de levar a gestação a termo em um ciclo, em torno de 15% (FEBRASGO, 2020). A idade afeta os dois.

Por que a fertilidade diminui com a idade?

A mulher nasce com um número finito de óvulos, que diminui ao longo da vida. Segundo a American Society for Reproductive Medicine (ASRM, 2014), a quantidade máxima de oócitos ocorre por volta da 20ª semana de gestação, com 6 a 7 milhões. Ao nascimento, restam de 1 a 2 milhões; na puberdade, de 300 a 500 mil; aos 37 anos, cerca de 25 mil; aos 51 anos, cerca de mil.

Além da quantidade, a qualidade dos óvulos também cai com o tempo. O envelhecimento do oócito leva a perdas tanto de quantidade quanto de qualidade, conforme o protocolo do Ministério da Saúde (2021). Isso explica por que as chances de gestação diminuem e o risco de alterações cromossômicas aumenta com a idade.

A queda não é linear. A ASRM (2014) destaca que a fecundidade feminina começa a diminuir gradualmente a partir de aproximadamente 32 anos e cai de forma mais acelerada após os 37 anos. Em outras palavras, o declínio acelera justamente na faixa em que muitas mulheres planejam a primeira gestação. Um dado importante: segundo a FEBRASGO (2020), a mulher apresenta uma queda de aproximadamente 11% da fertilidade para cada ano após os 30 anos de idade.

O que muda aos 35 anos?

Aos 35 anos, o relógio biológico começa a pedir mais atenção. Dois pontos se destacam: o tempo para engravidar e o risco de perda gestacional.

Quanto ao tempo, a recomendação muda. Enquanto uma mulher abaixo de 35 anos pode tentar por um ano antes de procurar avaliação, a partir dos 35 anos a orientação é buscar avaliação após seis meses de tentativas sem sucesso, conforme a FEBRASGO (2020) e o Ministério da Saúde (2021). O ACOG ([s. d.]) reforça: após os 35 anos, a avaliação é recomendada após seis meses de tentativa.

A chance de engravidar por ciclo também já começa a cair nessa fase. Para casais saudáveis na faixa dos 20 e início dos 30 anos, cerca de 1 em 4 mulheres engravida em um único ciclo menstrual (ACOG, [s. d.]). Esse percentual declina ao longo dos 30 anos e cai de forma mais rápida após os 37.

Quanto ao risco de abortamento, ele aumenta com a idade. Um estudo clássico publicado no British Medical Journal (Nybo Andersen et al., 2000) acompanhou mais de 600 mil mulheres e mostrou que o risco de abortamento espontâneo cresce de forma acentuada após os 35 anos. Em mulheres de 35 a 39 anos, o risco estimado foi de cerca de 25%, contra cerca de 15% na faixa de 30 a 34 anos (Nybo Andersen et al., 2000). Mais de um quinto das gestações em mulheres de 35 anos terminou em perda fetal.

E aos 40 anos?

Aos 40 anos, as mudanças se intensificam. A chance de engravidar em cada ciclo menstrual cai para menos de 10% (ACOG, [s. d.]). Isso significa que o tempo médio para conceber aumenta consideravelmente. A ASRM (2022) estima que a fertilidade relativa aos 40 anos é cerca de metade da observada no final dos 20 e início dos 30 anos.

O risco de abortamento também sobe. No mesmo estudo do BMJ (Nybo Andersen et al., 2000), mulheres de 40 a 44 anos apresentaram risco de abortamento espontâneo de cerca de 51% — ou seja, mais da metade das gestações nessa faixa terminou em perda. Aos 42 anos, mais da metade das gestações intencionadas (54,5%) resultou em perda fetal (Nybo Andersen et al., 2000).

Por isso, a orientação é mais urgente. O ACOG ([s. d.]) recomenda que, a partir dos 40 anos, a mulher converse com o ginecologista sobre avaliação o quanto antes, sem esperar os seis meses. O Ministério da Saúde (2021) também indica que, aos 40 anos, o início da avaliação pode ser ainda mais precoce.

O que é normal e o que é sinal de alerta?

É normal que a gravidez não aconteça no primeiro mês. Como vimos, a chance por ciclo é limitada. Para casais saudáveis na faixa dos 20 e início dos 30 anos, cerca de 1 em 4 mulheres engravida em um único ciclo menstrual (ACOG, [s. d.]). Esse percentual começa a cair ao longo dos 30 anos e declina de forma mais rápida após os 37. Em outras palavras, tentar por alguns meses sem sucesso ainda é esperado.

Porém, alguns sinais merecem atenção e avaliação mais precoce, independentemente do tempo de tentativa:

  • Ciclos menstruais irregulares ou ausentes (oligomenorreia ou amenorreia).
  • Histórico de endometriose, doença inflamatória pélvica ou cirurgias pélvicas.
  • Condições que podem afetar a fertilidade, como síndrome dos ovários policísticos ou alterações da tireoide.
  • Idade a partir de 35 anos com seis meses de tentativas sem sucesso.
  • Idade a partir de 40 anos, quando a avaliação deve ser antecipada.

A FEBRASGO (2020) indica que a avaliação pode ser imediata quando há história médica significativa, mesmo antes do tempo padrão de tentativa.

O que fazer para avaliar e cuidar da fertilidade aos 35/40?

Se você tem 35 anos ou mais e deseja engravidar, o primeiro passo é uma avaliação ginecológica. O ginecologista vai investigar o casal como um todo — afinal, a infertilidade envolve fatores femininos e masculinos. Quando o fator está no parceiro, o tema é abordado em infertilidade masculina.

A avaliação da reserva ovariana é um dos pontos centrais. Conforme o Ministério da Saúde (2021), ela está indicada para mulheres a partir de 35 anos e pode ser feita por meio da dosagem do hormônio antimülleriano, do FSH e da contagem de folículos antrais por ultrassonografia. Esses exames ajudam a estimar a quantidade de óvulos disponíveis e orientam o planejamento.

Além disso, o estilo de vida importa. A FEBRASGO (2020) destaca que o tabagismo e o álcool contribuem para o declínio na fertilidade do casal, e que o índice de massa corporal é um parâmetro importante a ser avaliado na mulher que deseja gestar. Manter um peso saudável, evitar o tabagismo e moderar o consumo de álcool são medidas que favorecem a fertilidade. Se você está planejando a gestação, a suplementação pré-concepcional também entra nesse planejamento.

E vale lembrar: entender o seu ciclo é parte do cuidado. Saber quando você está na sua janela fértil ajuda a direcionar as tentativas com mais informação, especialmente quando o tempo é um fator.

A idade do parceiro também influencia?

A infertilidade não é apenas uma questão feminina. O ACOG ([s. d.]) lembra que a fertilidade masculina também declina com a idade, embora de forma menos previsível. Por isso, a investigação do casal deve incluir o parceiro, com avaliação e exames direcionados, como o espermograma. Considerar os dois lados aumenta as chances de encontrar a causa e de planejar o tratamento certo.

A fertilidade “acaba” aos 35 anos?

Não é bem assim. Os 35 anos marcam uma mudança importante no tempo recomendado para buscar avaliação, mas não são um ponto de corte em que a fertilidade simplesmente termina. Muitas mulheres engravidam naturalmente aos 35 e aos 40 anos. O que muda, de fato, é a probabilidade — que diminui de forma gradual e se acelera após os 37 anos (ASRM, 2014) — e o risco de perda gestacional, que aumenta com a idade (Nybo Andersen et al., 2000). Por isso, informação e acompanhamento no tempo certo fazem diferença.

Outro mito comum é acreditar que se sentir saudável significa que a idade não interfere. A queda da fertilidade é um processo biológico silencioso: independe de como você se sente ou da sua rotina. Mesmo mulheres com ciclos regulares e boa saúde podem ter uma reserva ovariana reduzida. Por isso, a avaliação da reserva ovariana indicada a partir dos 35 anos (Ministério da Saúde, 2021) ajuda a trazer dados objetivos para o planejamento.

E um ponto importante: o diagnóstico de infertilidade não é um veredicto. Conforme o protocolo do Ministério da Saúde (2021), alguns fatores causais podem ser diagnosticados e tratados com medidas simples, como tratamento medicamentoso e orientações de estilo de vida. O primeiro passo é sempre a avaliação.

Quando procurar o ginecologista

Se você tem menos de 35 anos e está tentando engravidar há 12 meses sem sucesso, ou se tem 35 anos ou mais e já se passaram seis meses de tentativas, vale buscar uma avaliação. A partir dos 40 anos, a orientação é conversar com o ginecologista o quanto antes. Também procure avaliação mais cedo se tiver ciclos irregulares, histórico de endometriose ou outras condições que possam afetar a fertilidade. Uma avaliação precoce não significa alarmismo — significa planejamento com informação.

Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.

Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.

Referências

Perguntas frequentes

A partir de que idade a fertilidade da mulher começa a diminuir?

A fertilidade feminina começa a diminuir gradualmente a partir de aproximadamente 32 anos e cai de forma mais acelerada após os 37 anos, segundo a ASRM. A mulher apresenta uma queda de cerca de 11% da fertilidade para cada ano após os 30 anos, conforme a FEBRASGO.

Com 35 anos, quanto tempo devo tentar antes de procurar ajuda?

A partir dos 35 anos, a orientação é buscar avaliação após seis meses de tentativas sem sucesso, em vez de um ano. O Ministério da Saúde, a FEBRASGO e o ACOG recomendam essa antecipação.

Aos 40 anos, ainda é possível engravidar naturalmente?

Sim, na maioria dos casos é possível, mas as chances diminuem: a chance de engravidar por ciclo cai para menos de 10% aos 40 anos, segundo o ACOG. Por isso, a avaliação deve ser antecipada.

A idade do parceiro também influencia a fertilidade?

Sim. A infertilidade envolve fatores femininos, masculinos ou do casal, e a fertilidade masculina também declina com a idade. Por isso, a investigação deve incluir o parceiro, com avaliação e exames direcionados.

O que é reserva ovariana e como é avaliada?

É a quantidade de óvulos disponíveis nos ovários. Pode ser avaliada por dosagem do hormônio antimülleriano, FSH e contagem de folículos antrais por ultrassonografia, indicada a partir dos 35 anos.

O risco de abortamento é maior aos 35 e 40 anos?

Sim. Estudo do BMJ mostrou risco de abortamento espontâneo de cerca de 25% entre 35 e 39 anos e de cerca de 51% entre 40 e 44 anos, com aumento acentuado após os 35.

O que posso fazer para aumentar as chances de engravidar aos 35/40?

Buscar avaliação no tempo certo, manter peso saudável, evitar tabagismo e álcool e investigar o casal como um todo. Uma avaliação precoce favorece o planejamento com informação.

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