Quando um casal não consegue engravidar, é comum que a investigação comece pela mulher. Mas a infertilidade é um problema do casal: estima-se que 30% dos casos tenham causa exclusivamente masculina e, em outros 20%, o fator masculino apareça combinado a causas femininas — ou seja, o homem participa de cerca de metade das situações, isoladamente ou em conjunto (Lamaita et al., 2020).
A infertilidade é uma condição presente em 15% a 20% dos casais (Lamaita et al., 2020). Não se trata de um quadro raro — e, na maioria das vezes, tem investigação bem definida.
Se você e seu parceiro estão tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso, entender o que pode estar acontecendo com a fertilidade dele é um passo importante. E não precisa ser motivo de constrangimento: a avaliação do fator masculino é simples, acessível e essencial para orientar toda a investigação do casal.
Neste artigo, você vai entender o que é a infertilidade masculina, quais são as causas mais frequentes e quais exames ajudam a investigar o quadro, sempre com base em fontes científicas confiáveis.
O que é a infertilidade masculina?
A infertilidade é definida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a incapacidade de conceber após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares sem proteção (Organização Pan-Americana da Saúde, 2023). Quando essa dificuldade está ligada ao homem, falamos em infertilidade masculina — ou seja, a contribuição do parceiro para a concepção está comprometida.
A dimensão do problema é maior do que se imagina. Cerca de 17,5% da população adulta mundial — 1 em cada 6 pessoas — sofre de infertilidade ao longo da vida (Organização Pan-Americana da Saúde, 2023). E o homem participa desse cenário com frequência: em aproximadamente 40% dos casos, o homem é a única causa ou uma causa contribuinte da infertilidade do casal (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]).
A boa notícia é que a maioria das causas tem investigação bem definida e, em muitos casos, tratamento eficaz. O primeiro passo é entender o que está por trás do quadro.
Quais são as causas da infertilidade masculina?
As causas são variadas e podem envolver desde alterações anatômicas até hábitos de vida. Conhecer as principais ajuda a entender por que a avaliação do parceiro é tão importante.
Varicocele
A varicocele é a dilatação das veias do testículo e é a causa mais comum de contagem baixa de espermatozoides (oligospermia) (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]). Ela interfere na produção e na qualidade dos espermatozoides e está entre as causas mais frequentes de infertilidade masculina. Em 2025, a OMS passou a recomendar o tratamento cirúrgico ou radiológico da varicocele clínica em homens inférteis, como alternativa ao acompanhamento expectante (World Health Organization, 2025) — reforço de que se trata de uma causa tratável.
Alterações hormonais
Desequilíbrios hormonais podem prejudicar diretamente a produção de espermatozoides. O uso de anabolizantes ou hormônios masculinos em algum período da vida está frequentemente associado a alterações seminais (Lamaita et al., 2020).
Fatores genéticos
Alterações genéticas podem afetar a produção ou o transporte dos espermatozoides. Em alguns casos, estão relacionadas à ausência total de espermatozoides no ejaculado, condição chamada azoospermia — presente em cerca de 15% dos homens inférteis (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]).
Obstrução dos ductos
A obstrução ou a ausência de alguns condutos do sistema reprodutor masculino impede que os espermatozoides cheguem ao ejaculado — condição responsável por cerca de 10% a 20% dos casos de infertilidade masculina (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]). Pode ser consequência de infecções, de cirurgias prévias ou de condições congênitas.
Infecções
Infecções geniturinárias e IST (Infecções Sexualmente Transmissíveis) podem comprometer a fertilidade masculina. Por isso, o histórico de infecções e de doenças sexualmente transmissíveis faz parte da avaliação do parceiro (Lamaita et al., 2020). Infecções como caxumba, gonorreia ou clamídia podem causar inchaço dos testículos e prejudicar a formação dos espermatozoides (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]).
Hábitos de vida e idade
Fatores como tabagismo, consumo de álcool e idade paterna avançada também influenciam a qualidade espermática (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]). A idade mais avançada do homem está associada a maior fragmentação do DNA espermático e a maior número de mutações germinativas de novo (Schlegel et al., 2021).
Outros fatores
Caxumba, varicocele, torções testiculares, traumas na região genital e cirurgias prévias, como hernioplastias e vasectomia, também podem estar ligados à infertilidade masculina (Lamaita et al., 2020).
Quais sinais merecem atenção?
Na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas evidentes. O sinal mais importante é o tempo de tentativa: se o casal mantém relações regulares sem proteção há mais de um ano e não consegue engravidar, vale iniciar a investigação.
Outros sinais que podem merecer atenção incluem alterações nos testículos, dor ou desconforto na região genital, dificuldade de ejaculação e histórico de infecções ou de cirurgias na região — aspectos que fazem parte da anamnese e do exame físico do parceiro (Lamaita et al., 2020). Mas lembre-se: a ausência de sintomas não descarta a necessidade de avaliação.
Quais exames investigam o fator masculino?
A investigação do fator masculino começa com exames simples e não invasivos. O objetivo é identificar a causa e orientar a conduta mais adequada para o casal.
Espermograma
O espermograma, também chamado de análise seminal, é a forma inicial de avaliação da causa masculina e um exame essencial na investigação do casal infértil (Lamaita et al., 2020). Ele analisa características do sêmen, como volume, concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides, seguindo padrões de referência da OMS.
Se o primeiro resultado for alterado, um exame de confirmação deve ser repetido, idealmente após três meses, para completar o ciclo de formação dos espermatozoides (Lamaita et al., 2020).
Exame físico e histórico
A avaliação inclui um exame físico detalhado e o histórico reprodutivo do parceiro (Schlegel et al., 2021). O médico investiga o desenvolvimento puberal, disfunções sexuais, infecções, cirurgias e o uso de medicamentos ou hormônios (Lamaita et al., 2020).
Exames hormonais
Dosagens hormonais, como a do FSH, ajudam a diferenciar se a ausência de espermatozoides é causada por obstrução ou por alteração na produção (Schlegel et al., 2021).
Ultrassom
Em situações específicas, o ultrassom pode auxiliar na avaliação. O exame físico costuma ser suficiente para identificar a varicocele, e o ultrassom com Doppler pode ser usado quando a palpação é difícil (U.S. National Institute of Child Health and Human Development, [s. d.]).
Testes genéticos
Em casos selecionados, testes genéticos podem ser indicados para investigar causas específicas, como alterações que afetam a produção ou o transporte dos espermatozoides. A avaliação genética é recomendada em situações como azoospermia ou oligozoospermia grave, quando há suspeita de causa genética para a alteração na produção espermática (Schlegel et al., 2021).
Como a investigação do casal acontece na prática
Quando a dificuldade para engravidar aparece, o caminho mais eficiente é investigar o casal em conjunto, e não apenas um dos lados. Começar pela avaliação do parceiro costuma ser simples e rápido: muitos dos exames iniciais são não invasivos e podem ser feitos em paralelo à investigação feminina, evitando atrasos e procedimentos desnecessários.
Na consulta, o médico ouve o histórico dos dois, entende o tempo de tentativa e orienta os primeiros exames. Essa etapa inicial já costuma responder boa parte das dúvidas e definir se a investigação precisa avançar para exames mais específicos, como os genéticos ou os hormonais.
O tratamento depende da causa identificada
Identificada a causa, a conduta é definida caso a caso. A varicocele, por exemplo, passou a contar com recomendação formal da OMS (2025) para tratamento cirúrgico ou radiológico em homens inférteis — o que reforça que se trata de uma causa tratável. Alterações hormonais podem melhorar quando fatores como o uso de anabolizantes são ajustados.
Em obstruções, a abordagem depende da localização e da extensão do problema. Em situações em que a produção espermática está muito comprometida, técnicas de reprodução assistida podem fazer parte do caminho. O mais importante é que a maioria dos quadros tem um plano de investigação e tratamento bem definido — e o casal não precisa enfrentar isso sozinho.
Cuidados que podem ajudar a preservar a fertilidade
Alguns hábitos fazem diferença na saúde reprodutiva masculina. Evitar o tabagismo e o consumo excessivo de álcool, manter uma alimentação equilibrada e praticar atividade física regular são medidas que contribuem para a qualidade espermática. O uso de anabolizantes deve ser evitado, pois está associado a alterações seminais.
Como a infertilidade e a idade também se relacionam, planejar a gestação com antecedência pode ser uma estratégia sensata para casais que desejam ter filhos. E, diante de qualquer dúvida, a avaliação precoce do casal é sempre o melhor caminho — quanto antes a investigação começa, mais rápido o plano de cuidado se desenha.
Quando procurar o ginecologista?
Se você e seu parceiro estão tentando engravidar há mais de um ano sem sucesso, vale buscar avaliação. Em mulheres acima de 35 anos, a investigação pode ser antecipada para seis meses de tentativa (Lamaita et al., 2020).
A investigação da infertilidade envolve fatores femininos, masculinos ou combinados — por isso, o casal deve ser avaliado em conjunto. Entender a janela fértil faz parte desse processo. Em 2025, a OMS publicou a primeira diretriz mundial para prevenção, diagnóstico e tratamento da infertilidade, reforçando a avaliação conjunta do casal desde o início (World Health Organization, 2025). Em Taquara/RS e região, uma avaliação acolhedora e individualizada pode ajudar o casal a seguir com o planejamento com mais segurança.
Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
- LAMAITA, Rívia Mara et al. Propedêutica básica da infertilidade conjugal. Femina, v. 48, n. 5, p. 311-315, 2020. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/06/1099674/femina-2020-485-311-315.pdf. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. OMS alerta que 1 em cada 6 pessoas é afetada pela infertilidade em todo o mundo. Genebra: OPAS/OMS, 2023. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/4-4-2023-oms-alerta-que-1-em-cada-6-pessoas-e-afetada-pela-infertilidade-em-todo-mundo. Acesso em: 13 set. 2026.
- SCHLEGEL, Peter N. et al. Diagnosis and treatment of infertility in men: AUA/ASRM guideline part I. Fertility and Sterility, v. 115, n. 1, p. 54-61, jan. 2021. Disponível em: https://www.fertstert.org/article/S0015-0282(20)32683-2/fulltext. Acesso em: 13 set. 2026.
- U.S. NATIONAL INSTITUTE OF CHILD HEALTH AND HUMAN DEVELOPMENT. Causas de infertilidade masculina. Bethesda: NICHD/NIH, [s. d.]. Disponível em: https://espanol.nichd.nih.gov/salud/temas/infertility/informacion/causas-masculina. Acesso em: 13 set. 2026.
- WORLD HEALTH ORGANIZATION. Guideline for the prevention, diagnosis and treatment of infertility. Genebra: WHO, 2025. 262 p. ISBN 978-92-4-011577-4. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/9789240115774. Acesso em: 13 set. 2026.
Perguntas frequentes
A infertilidade masculina tem tratamento?
Sim, na maioria dos casos. Muitas causas, como a varicocele, têm tratamento eficaz — inclusive com recomendação formal da OMS (2025) para o tratamento cirúrgico ou radiológico da varicocele clínica em homens inférteis. A investigação do casal é essencial para identificar a causa e orientar a conduta mais adequada.
Preciso fazer mais de um espermograma?
Sim. Se o primeiro resultado for alterado, um exame de confirmação deve ser repetido, idealmente após três meses, para completar o ciclo de formação dos espermatozoides (Lamaita et al., 2020).
O espermograma é doloroso?
Não. O espermograma é feito por meio da coleta de uma amostra de sêmen, geralmente por masturbação, após um período de abstinência sexual recomendado pelo médico. É um exame simples e não invasivo.
A infertilidade masculina sempre tem sintomas?
Não. Na maioria dos casos, não há sintomas evidentes. Por isso, o tempo de tentativa sem sucesso é o principal sinal para iniciar a investigação.
O parceiro precisa ser avaliado junto comigo?
Sim. A infertilidade envolve fatores femininos, masculinos ou combinados, por isso a avaliação do casal deve ser feita em conjunto, sempre (Lamaita et al., 2020).
Hábitos de vida influenciam a fertilidade masculina?
Sim. Tabagismo, consumo de álcool e uso de anabolizantes podem prejudicar a qualidade espermática. Ajustes no estilo de vida podem fazer parte da abordagem (Lamaita et al., 2020).
Quando devo procurar ajuda?
Após 12 meses de relações regulares sem proteção sem conseguir engravidar. Em mulheres acima de 35 anos, a avaliação pode ser antecipada para seis meses de tentativa (Lamaita et al., 2020).
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