Você e seu parceiro estão tentando engravidar e a espera começa a gerar dúvidas: quanto tempo é normal? Quando a demora deixa de ser só uma questão de paciência e passa a merecer investigação? Essas perguntas sobre infertilidade são mais comuns do que parece — e buscar ajuda no momento certo faz toda a diferença.
Entender o funcionamento do seu corpo é o primeiro passo. Saber identificar a sua janela fértil ajuda a tornar as tentativas mais eficientes, mas há um limite a partir do qual a avaliação médica se torna recomendada. Este artigo explica, com base em evidências científicas, o que é infertilidade, quais prazos observar conforme a idade e quais sinais pedem uma consulta antes do tempo esperado.
O objetivo aqui é simples: oferecer informação clara e acolhedora para que você saiba exatamente quando procurar o ginecologista — sem pânico e sem espera desnecessária. Para isso, reunimos o que dizem as principais referências da área — da OMS à FEBRASGO e à ASRM — traduzido para o seu dia a dia.
O que é infertilidade?
A OMS define infertilidade como a falha em alcançar uma gravidez após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e sem proteção (Organização Mundial da Saúde, 2025). Trata-se de uma condição que envolve o sistema reprodutivo — masculino ou feminino — e que pode ter origem feminina, masculina ou em fatores combinados do casal.
Esse prazo de 12 meses não é arbitrário. Ele reflete o tempo médio que a maioria dos casais precisa para conceber de forma natural, considerando a frequência das relações e a biologia do ciclo menstrual.
No Brasil, a condição está presente em cerca de 15% a 20% dos casais em idade reprodutiva (Lamaita et al., 2020). Globalmente, a OMS estima que 1 em cada 6 pessoas em idade reprodutiva — cerca de 17,5% da população adulta — vive ou viverá essa experiência em algum momento da vida (Organização Mundial da Saúde, 2023a), conforme o relatório Infertility Prevalence Estimates, 1990–2021 (Organização Mundial da Saúde, 2023b).
Infertilidade primária e secundária: qual a diferença?
A OMS também classifica a infertilidade conforme a história de gestações anteriores — e essa distinção aparece com frequência nas conversas com o ginecologista. A infertilidade primária ocorre quando o casal nunca conseguiu uma gestação. A infertilidade secundária, por sua vez, é diagnosticada quando já houve ao menos uma gestação anterior, mesmo que ela não tenha resultado em um bebê nascido vivo — como no caso de um abortamento.
Segundo a FEBRASGO, essa classificação é clínica (Lamaita et al., 2020). Entender a diferença ajuda a direcionar a investigação: na secundária, as causas adquiridas — como alterações nas tubas — ganham mais atenção; na primária, fatores como a reserva ovariana entram em pauta. Saber qual é o seu caso permite que o ginecologista organize os passos com mais precisão.
Quanto tempo é normal tentar engravidar?
A concepção natural leva tempo, mesmo em casais sem nenhum problema de saúde. Segundo a FEBRASGO, entre os casais que tentam a concepção (Lamaita et al., 2020):
- cerca de 50% engravidam em 3 meses;
- cerca de 60% engravidam em 6 meses;
- aproximadamente 85% engravidam em 1 ano.
Isso significa que, na maioria dos casos, a gravidez costuma acontecer dentro do primeiro ano de tentativas. Quando isso não ocorre, a chance de haver algum fator envolvido aumenta, e a investigação se torna recomendada — mas não urgente na maioria das situações, salvo sinais específicos que veremos adiante.
Há outra informação que costuma tranquilizar: entre os casais que não engravidaram no primeiro ano, cerca de 92% concebem no segundo ano, também segundo a FEBRASGO (Lamaita et al., 2020). Isso não significa adiar uma avaliação que já está indicada — significa apenas que o tempo de espera não deve ser vivido como um veredicto sobre a fertilidade do casal. O tempo é um critério clínico, não um juízo de valor.
A FEBRASGO acrescenta que alguns autores estendem esse prazo para dois anos quando se trata de casais jovens, na ausência de outros fatores de risco (Lamaita et al., 2020). Mais importante do que decorar um mês exato, porém, é entender o princípio: a propedêutica existe para que o tempo não passe em silêncio — e, na maioria dos casos, ela começa sem urgência.
Quais são as causas de infertilidade?
As causas podem ser divididas entre fatores femininos, masculinos e combinados. A FEBRASGO reforça que a abordagem deve sempre considerar o casal como unidade, e não apenas a mulher isoladamente (Lamaita et al., 2020).
Entre as causas femininas mais frequentes estão:
- alterações da ovulação, como na síndrome dos ovários policísticos;
- obstrução ou dano nas tubas uterinas;
- endometriose;
- alterações da cavidade uterina — como miomas, pólipos ou aderências — ou fatores relacionados à idade.
A FEBRASGO estima que cerca de 35% das causas estejam ligadas ao fator feminino, 30% ao fator masculino e 20% a fatores combinados de ambos os parceiros — e em cerca de 15% dos casos nenhuma causa específica é identificada mesmo após investigação completa (Lamaita et al., 2020).
Quando o olhar se volta especificamente para os fatores femininos, o protocolo detalha a distribuição: o fator tubário responde por cerca de 14%; a endometriose, por 7%; as alterações da ovulação, por 6%; a diminuição da reserva ovariana, por 6%; e o fator uterino, por cerca de 1% — sendo que múltiplas causas coexistem em aproximadamente 13% das pacientes (Lamaita et al., 2020).
Os distúrbios ovulatórios merecem destaque: a ASRM aponta que a disfunção ovulatória está presente em cerca de 15% dos casais inférteis e responde por até 40% dos casos de infertilidade feminina (American Society for Reproductive Medicine, 2021).
Entre os fatores masculinos, destacam-se alterações na produção, na qualidade ou no transporte dos espermatozoides — investigadas por meio da análise do sêmen, um exame simples e fundamental. Em alguns casos, nenhuma causa específica é identificada; isso também é possível e tem condução médica própria.
O ponto central é: a infertilidade não é culpa de ninguém e não é um problema exclusivamente feminino. Ela é uma condição de saúde do casal, e assim deve ser investigada.
Como a idade influencia a fertilidade?
A idade é um dos fatores mais relevantes na fertilidade feminina. A mulher apresenta queda de aproximadamente 11% na fertilidade para cada ano após os 30 anos, de acordo com a FEBRASGO (Lamaita et al., 2020). A fertilidade diminui de forma mais expressiva à medida que a mulher se aproxima dos 40 anos — e a idade feminina é reconhecida como o principal preditor isolado da capacidade de conceber (American Society for Reproductive Medicine, 2021).
É por isso que os prazos para buscar avaliação variam conforme a idade. Segundo as diretrizes da ASRM (sociedade internacional de referência em reprodução):
- menos de 35 anos: iniciar a avaliação após 12 meses de tentativas;
- 35 anos ou mais: iniciar a avaliação após 6 meses;
- acima de 40 anos: a avaliação mais precoce é recomendada, idealmente o quanto antes.
Esses prazos não significam alarme. Eles existem para que a investigação comece dentro de uma janela de tempo em que as condutas tendem a ter melhores resultados — uma postura de prevenção e cuidado, não de pressa injustificada.
Na prática, a idade é o fator que o casal não consegue modificar — e é exatamente por isso que ela pesa tanto nas orientações. Uma jornada de gestação aos 25 anos não é a mesma aos 38, e as diretrizes antecipam a avaliação justamente para que a investigação aconteça dentro da janela em que as condutas têm melhores resultados. Conversar sobre idade e fertilidade com o ginecologista não é alarmismo: é planejamento.
Quais sinais pedem avaliação antes do prazo?
Existem situações em que a avaliação deve ser antecipada, mesmo antes de completar 12 ou 6 meses de tentativas. A FEBRASGO indica que a análise pode ser iniciada imediatamente quando há história clínica significativa (Lamaita et al., 2020), como:
- ciclos menstruais muito irregulares ou ausentes (oligomenorreia ou amenorreia);
- endometriose em estágio avançado ou suspeita da condição;
- diagnóstico de síndrome dos ovários policísticos (SOP);
- qualquer condição que possa limitar a fertilidade, como cirurgias pélvicas prévias, infecções ou doenças que afetem as tubas.
Essa orientação está alinhada com a ASRM, que recomenda iniciar a investigação sem demora quando há uma condição conhecida associada à infertilidade (American Society for Reproductive Medicine, 2021).
Se você tem endometriose ou síndrome dos ovários policísticos, por exemplo, não precisa esperar completar um ano de tentativas para procurar o ginecologista. O acompanhamento precoce permite avaliar a situação com método e planejar os próximos passos. O mesmo vale para quem convive com dor pélvica intensa: investigar cedo não significa iniciar tratamento imediato, mas garante que você e a sua médica saibam, com clareza, o que está acontecendo.
O que a investigação da infertilidade avalia?
A investigação é conduzida de forma progressiva e considera o casal como um todo. Conforme a FEBRASGO e a ASRM, a avaliação diagnóstica inclui (Lamaita et al., 2020; American Society for Reproductive Medicine, 2021):
- avaliação da função ovulatória — a confirmação de que há ovulação e em que período do ciclo ela ocorre;
- avaliação da estrutura e permeabilidade do trato reprodutivo feminino — útero e tubas uterinas, com exames como histerossalpingografia ou ultrassonografia com infusão salina para verificar a permeabilidade tubária;
- análise do sêmen do parceiro — uma etapa essencial e simples, que muitas vezes é negligenciada.
O primeiro passo, porém, é sempre a consulta médica. Nela, o ginecologista colhe a história clínica completa, pergunta sobre a regularidade dos ciclos, hábitos de vida, uso de medicamentos e tentativas anteriores — e só então define quais exames são realmente necessários para o seu caso.
A boa notícia é que a investigação, na maioria dos casos, começa de forma simples e indolor: história clínica detalhada, exame físico, exames de sangue e de imagem — e, para o parceiro, a análise do sêmen. Muitas vezes, os primeiros resultados já indicam o caminho e evitam exames desnecessários. As diretrizes da ASRM chegam a listar procedimentos que não devem ser solicitados de rotina — como laparoscopia, teste pós-coito e biópsia de endométrio — justamente para evitar intervenções sem indicação (American Society for Reproductive Medicine, 2021). E aqui vale a regra de ouro da reprodução humana: quem investiga cedo ganha tempo — e, na fertilidade, tempo é o recurso mais decisivo.
A ordem dos exames é definida pelo ginecologista, mas o princípio é sempre o mesmo: começar pelo menos invasivo e progredir somente se necessário. Na maioria dos casos, o casal sai da primeira consulta com um plano claro de investigação — o que já transforma a ansiedade da espera em passos objetivos.
O tratamento, quando indicado, depende diretamente da causa identificada. Cada situação tem conduta própria, e a decisão é sempre individualizada, com base em evidências e no contexto de cada paciente.
Quando procurar o ginecologista
Em resumo, o momento de buscar avaliação é definido por dois critérios principais: o tempo de tentativas e a sua idade. Se você tem menos de 35 anos, procure o ginecologista após 12 meses tentando engravidar. Se tem 35 anos ou mais, o prazo é de 6 meses. Acima dos 40 anos, a conversa com o médico é recomendada o quanto antes.
Além disso, procure avaliação antecipada se houver ciclos menstruais irregulares ou ausentes, dor pélvica intensa, diagnóstico de endometriose ou síndrome dos ovários policísticos, cirurgias pélvicas prévias ou qualquer condição que você saiba estar associada à fertilidade.
Essa consulta não é um sinal de que algo está errado com você. É um cuidado legítimo com a sua saúde reprodutiva — e quanto mais cedo a avaliação começa, mais tranquilidade e clareza você ganha sobre o seu corpo e as suas possibilidades.
Três situações resumem o que foi visto: tempo de tentativas completado, idade a partir dos 35 anos ou um sinal de alerta conhecido. Se qualquer uma delas faz parte da sua história, vale agendar uma conversa — sem culpa e sem pressa, mas com método.
Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
- AMERICAN SOCIETY FOR REPRODUCTIVE MEDICINE. Fertility evaluation of infertile women: a committee opinion. Fertility and Sterility, v. 116, n. 5, p. 1255-1265, 2021. Disponível em: https://www.asrm.org/practice-guidance/practice-committee-documents/fertility-evaluation-of-infertile-women-a-committee-opinion-2021. Acesso em: 13 set. 2026.
- LAMAITA, Rívia Mara et al. Propedêutica básica da infertilidade conjugal. Femina, v. 48, n. 5, p. 311-315, 2020. Disponível em: https://docs.bvsalud.org/biblioref/2020/06/1099674/femina-2020-485-311-315.pdf. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. 1 in 6 people globally affected by infertility: WHO. Genebra: OMS, 2023a. Disponível em: https://www.who.int/news/item/04-04-2023-1-in-6-people-globally-affected-by-infertility. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Infertility. Genebra: OMS, 2025. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/infertility. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Infertility Prevalence Estimates, 1990–2021. Genebra: OMS, 2023b. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/978920068315. Acesso em: 13 set. 2026.
Perguntas frequentes
O que é considerado infertilidade?
Infertilidade é a falha em engravidar após 12 meses ou mais de relações sexuais regulares e sem proteção, segundo a OMS. Ela pode ter causa feminina, masculina ou combinada, e não é um problema exclusivo da mulher.
Quando devo procurar ajuda para engravidar?
Se você tem menos de 35 anos, a avaliação é indicada após 12 meses de tentativas. A partir dos 35 anos, o prazo cai para 6 meses. Após os 40, é recomendável conversar com o ginecologista o quanto antes.
Quantos meses devo tentar antes de procurar o ginecologista?
Em geral, 12 meses se você tem menos de 35 anos e 6 meses se tem 35 anos ou mais. Cerca de 85% dos casais que tentam engravidar conseguem em até um ano, segundo a FEBRASGO.
A idade interfere na fertilidade?
Sim, a fertilidade feminina diminui progressivamente com a idade — com queda estimada de cerca de 11% ao ano após os 30 anos, segundo a FEBRASGO. Por isso, os prazos para buscar ajuda mudam conforme a idade.
Quais sinais indicam que devo buscar avaliação antes de 1 ano?
Ciclos menstruais muito irregulares ou ausentes, dor pélvica intensa, diagnóstico de endometriose, síndrome dos ovários policísticos, cirurgias pélvicas prévias ou idade acima de 35 anos justificam avaliação antecipada.
A infertilidade é um problema só da mulher?
Não — as causas femininas e masculinas são igualmente relevantes, e a investigação deve envolver o casal. A avaliação inclui a função ovulatória, o trato reprodutivo feminino e a análise do sêmen do parceiro.
O que é feito na investigação da infertilidade?
A investigação avalia a ovulação, a estrutura do útero e das tubas e o sêmen do parceiro. O passo inicial é sempre uma consulta com o ginecologista para história clínica detalhada e definição dos exames necessários.
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