Se você tem notado ciclos menstruais irregulares, acne que não melhora ou excesso de pelos, talvez já tenha ouvido falar em síndrome dos ovários policísticos (SOP). É uma das condições ginecológicas mais comuns entre mulheres em idade reprodutiva. Ainda assim, muitas convivem com os sintomas por anos sem saber o que está acontecendo.
A SOP é um distúrbio hormonal que afeta a ovulação e pode trazer consequências para a fertilidade, o metabolismo e a saúde a longo prazo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2026), ela atinge cerca de 10% a 13% das mulheres em idade reprodutiva, e estima-se que até 70% delas não saibam que têm a condição. Uma revisão sistemática com mais de 12 milhões de participantes estimou a prevalência global em cerca de 9,2% (Salari et al., 2024) — a variação entre os números reflete os diferentes critérios diagnósticos usados ao redor do mundo.
A boa notícia é que a SOP não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com acompanhamento médico, é possível controlar os sintomas, regular o ciclo e proteger sua saúde (OMS, 2026). Se você está pensando em engravidar, vale entender como a SOP se relaciona com a infertilidade e quando buscar ajuda.
O que é a síndrome dos ovários policísticos?
A SOP é um distúrbio hormonal comum no qual níveis elevados de hormônios masculinos (andrógenos) levam a ciclos menstruais irregulares, ovulação anormal e, em muitos casos, dificuldade para engravidar (OMS, 2026). O nome vem da presença de muitos folículos pequenos nos ovários, que podem aparecer como “cistos” no ultrassom.
É importante entender um ponto: nem toda mulher com SOP tem cistos nos ovários. A OMS (2026) esclarece que os cistos não são obrigatórios para o diagnóstico. A condição é, na verdade, uma síndrome — um conjunto de sinais e sintomas que varia de mulher para mulher.
A SOP é a causa mais comum de anovulação no mundo e uma das principais causas de infertilidade (OMS, 2026). Ela também é uma condição metabólica crônica, que pode persistir além dos anos reprodutivos. Como síndrome, nenhum critério isolado é suficiente para o diagnóstico — é a combinação de sinais que orienta a avaliação (Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group, 2004).
O que causa a SOP?
A causa exata da SOP ainda não é totalmente conhecida. Segundo a OMS (2026) e o CDC ([s. d.]), a condição envolve uma combinação de fatores, e mulheres com histórico familiar de SOP ou de diabetes tipo 2 têm maior risco de desenvolvê-la. O excesso de peso também pode contribuir (CDC, [s. d.]).
Um dos mecanismos centrais é a resistência à insulina: quando o corpo não usa a insulina de forma eficiente, o risco de diabetes tipo 2 aumenta (CDC, [s. d.]). Esse elo metabólico ajuda a explicar por que o controle do peso e da glicose faz parte do cuidado na SOP.
O Ministério da Saúde descreve a SOP como uma doença multifatorial, caracterizada por alterações hiperandrogênicas e reprodutivas, frequentemente associada à resistência à insulina e a alterações metabólicas (Ministério da Saúde, 2020). Por isso, o cuidado costuma envolver também o controle do peso e dos níveis de glicose.
Vale lembrar que a SOP não é culpa de quem tem a condição: trata-se de uma alteração hormonal complexa, e o acolhimento faz parte do cuidado. Pequenos hábitos diários — como uma alimentação equilibrada, sono regular e momentos de movimento — ajudam o corpo a usar melhor a insulina e contribuem para o equilíbrio hormonal.
Quais são os sintomas da SOP?
Os sintomas da SOP variam bastante. Algumas mulheres têm poucos sinais, enquanto outras apresentam vários. Os mais comuns, segundo a OMS (2026) e o CDC ([s. d.]), incluem:
- Ciclos menstruais irregulares, espaçados ou ausentes;
- Menstruação intensa ou dolorosa;
- Excesso de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo);
- Acne e pele oleosa;
- Queda de cabelo ou afinamento dos fios;
- Ganho de peso, principalmente na região da barriga;
- Escurecimento da pele em dobras do corpo (acantose nigricans);
- Dificuldade para engravidar.
O Ministério da Saúde acrescenta que as menstruações costumam ser espaçadas, com poucas vezes por ano, e que pode haver ausência de menstruação, queda de cabelo e distúrbios de humor (Ministério da Saúde, 2020). Se o seu ciclo vive atrasando, vale entender as possíveis causas da menstruação atrasada.
A SOP costuma se manifestar já na adolescência, por volta da primeira menstruação (CDC, [s. d.]). Porém, muitas mulheres só descobrem a condição quando tentam engravidar. Isso acontece porque os sinais podem ser sutis ou confundidos com variações normais do ciclo, principalmente nos primeiros anos após a menarca.
Como é feito o diagnóstico da SOP?
O diagnóstico da SOP é clínico e segue critérios bem definidos. O mais utilizado é o consenso de Rotterdam, que define a presença de pelo menos dois de três critérios (FEBRASGO, 2018):
- Hiperandrogenismo — sinais clínicos (excesso de pelos, acne) ou laboratoriais (testosterona elevada);
- Ciclos irregulares ou ausentes, com poucas ovulações por ano;
- Ovários policísticos no ultrassom.
Para caracterizar ovários policísticos, considera-se a presença de 12 ou mais folículos medindo de 2 a 9 mm e/ou volume ovariano acima de 10 mL em pelo menos um ovário (Rotterdam ESHRE/ASRM-Sponsored PCOS Consensus Workshop Group, 2004).
Antes de fechar o diagnóstico, é preciso excluir outras causas. A FEBRASGO (2018) orienta afastar disfunções da tireoide, hiperprolactinemia, tumores ovarianos ou das suprarrenais e a síndrome de Cushing. Por isso, o diagnóstico exige avaliação médica completa, com exame clínico, exames de sangue e ultrassom.
A OMS (2026) reforça que o diagnóstico também considera o histórico familiar e a fase da vida, já que ciclos irregulares podem ser normais no início da vida reprodutiva. A avaliação individualizada evita tanto o diagnóstico tardio quanto o excesso de exames desnecessários.
Como é o tratamento da SOP?
A SOP não tem cura, mas tem tratamento eficaz. O objetivo é controlar os sintomas, regular o ciclo e reduzir os riscos a longo prazo. O tratamento é individualizado e combina mudanças de estilo de vida e, quando necessário, medicamentos (Ministério da Saúde, 2020).
A primeira linha de tratamento é a mudança do estilo de vida. A OMS (2026) e o CDC ([s. d.]) recomendam perda de peso quando há excesso e aumento da atividade física. Uma alimentação equilibrada e o movimento regular ajudam a melhorar a sensibilidade à insulina e a reduzir o risco metabólico (OMS, 2026).
Para regular o ciclo e reduzir acne e pelos, os anticoncepcionais hormonais combinados são uma opção comum (OMS, 2026). Eles ajudam a regular a menstruação e atenuam o hiperandrogenismo.
Quando há resistência à insulina, a metformina pode ser indicada. A FEBRASGO (2018) aponta que a metformina é o fármaco mais utilizado e pode melhorar a ovulação e o ciclo menstrual. O uso deve ser orientado pelo médico, com dose ajustada de forma progressiva e administrada às refeições para reduzir efeitos gastrointestinais (FEBRASGO, 2018).
Para quem deseja engravidar, existem tratamentos que estimulam a ovulação. A OMS (2026) menciona medicamentos, mudanças de estilo de vida e, em alguns casos, técnicas de reprodução assistida, como a fertilização in vitro.
Cada mulher responde de forma diferente ao tratamento. Por isso, ele deve ser discutido com o médico, considerando seus objetivos — seja regular o ciclo, controlar os sintomas ou engravidar. O acompanhamento regular permite ajustes ao longo do tempo e monitoramento dos riscos. A SOP é uma condição de longo curso, e o cuidado não termina quando o sintoma some — ele se adapta.
A SOP pode causar complicações?
Sim. Sem acompanhamento, a SOP aumenta o risco de várias condições de saúde. Segundo o CDC ([s. d.]), mais da metade das mulheres com SOP desenvolve diabetes tipo 2 até os 40 anos. A resistência à insulina é o principal elo entre as duas condições.
Outros riscos, conforme a OMS (2026) e o CDC ([s. d.]), incluem:
- Diabetes gestacional e pressão alta na gravidez;
- Pressão alta e colesterol elevado;
- Doença cardiovascular;
- Obesidade e apneia do sono;
- Hiperplasia do endométrio e, em casos mais raros, câncer de endométrio.
Na gravidez, a SOP também merece atenção. A OMS (2026) e o CDC ([s. d.]) apontam maior risco de diabetes gestacional e pressão alta, o que exige acompanhamento pré-natal mais próximo. Planejar a gestação com o ginecologista ajuda a reduzir esses riscos.
A OMS (2026) explica que ciclos muito espaçados deixam o endométrio sem descamação regular, o que aumenta o risco de crescimento anormal do tecido uterino. Por isso, regular o ciclo é importante mesmo para quem não deseja engravidar.
A SOP também pode afetar a saúde emocional. A OMS (2026) e o CDC ([s. d.]) associam a condição a maior risco de ansiedade e depressão, muitas vezes ligados aos sintomas e ao estigma social. Reconhecer esse impacto é parte do cuidado: o apoio emocional e o acompanhamento psicológico podem fazer diferença na qualidade de vida.
A boa notícia é que o tratamento precoce e o controle do peso reduzem significativamente esses riscos (OMS, 2026; CDC, [s. d.]). Por isso, o acompanhamento regular com o ginecologista é tão importante. Exames periódicos de glicose, colesterol e pressão, orientados pelo seu médico, permitem agir antes que pequenas mudanças virem problemas maiores.
Quando procurar o ginecologista?
Vale procurar o ginecologista se você tem ciclos menstruais irregulares ou ausentes, acne persistente, excesso de pelos, ganho de peso sem causa aparente ou dificuldade para engravidar. Também é importante buscar avaliação se você tem histórico familiar de SOP ou de diabetes (OMS, 2026).
Quanto antes o diagnóstico, mais cedo é possível iniciar o tratamento e proteger sua saúde a longo prazo (OMS, 2026). Vale atenção se os sintomas interferem na sua qualidade de vida, no sono ou no humor — cada caso é único, e somente uma avaliação individualizada consegue diferenciar a SOP de outras condições com sintomas parecidos.
Se a dor pélvica intensa acompanha os sintomas, pode ser útil conhecer também a endometriose, outra condição comum que afeta o ciclo menstrual e a fertilidade.
Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Polycystic ovary syndrome. Genebra: OMS, 2026. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/polycystic-ovary-syndrome. Acesso em: 13 set. 2026.
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Diabetes and polycystic ovary syndrome (PCOS). Atlanta: CDC, [s. d.]. Disponível em: https://www.cdc.gov/diabetes/risk-factors/pcos-polycystic-ovary-syndrome.html. Acesso em: 13 set. 2026.
- FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Síndrome dos ovários policísticos na adolescência. São Paulo: FEBRASGO, 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/sindrome-dos-ovarios-policisticos-na-adolescencia. Acesso em: 13 set. 2026.
- ROTTERDAM ESHRE/ASRM-SPONSORED PCOS CONSENSUS WORKSHOP GROUP. Revised 2003 consensus on diagnostic criteria and long-term health risks related to polycystic ovary syndrome (PCOS). Human Reproduction, v. 19, n. 1, p. 41-47, 2004. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/14688154. Acesso em: 13 set. 2026.
- SALARI, Nader et al. Global prevalence of polycystic ovary syndrome in women worldwide: a comprehensive systematic review and meta-analysis. Archives of Gynecology and Obstetrics, v. 310, n. 3, p. 1303-1314, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/38922413/. Acesso em: 13 set. 2026.
- BRASIL. Ministério da Saúde. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas da Síndrome de Ovários Policísticos. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2020. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/s/sindrome-de-ovarios-policisticos/view. Acesso em: 13 set. 2026.
Perguntas frequentes
SOP tem cura?
Não. A SOP não tem cura, mas tem tratamento eficaz. Com mudanças no estilo de vida, medicamentos e acompanhamento médico, a maioria das mulheres controla os sintomas e protege a saúde a longo prazo (OMS, 2026).
SOP engorda?
A SOP aumenta a tendência ao ganho de peso, principalmente na região da barriga, associada à resistência à insulina. Manter o peso controlado melhora os sintomas e reduz os riscos (OMS, 2026; CDC, [s. d.]).
Quem tem SOP pode engravidar?
Sim, na maioria dos casos. A SOP é uma causa comum de dificuldade para engravidar, mas existem tratamentos que estimulam a ovulação e aumentam as chances de gestação (OMS, 2026).
SOP é uma doença grave?
A SOP não é grave em si, mas exige acompanhamento. Sem tratamento, aumenta o risco de diabetes, pressão alta e problemas cardiovasculares a longo prazo (OMS, 2026; CDC, [s. d.]).
Como é feito o diagnóstico de SOP?
O diagnóstico segue os critérios de Rotterdam: presença de pelo menos dois de três sinais — hiperandrogenismo, ciclos irregulares e ovários policísticos no ultrassom — após excluir outras causas (FEBRASGO, 2018).
SOP tem relação com infertilidade?
Sim. A SOP é uma das causas mais comuns de anovulação e infertilidade. O tratamento melhora a ovulação e aumenta as chances de gravidez (OMS, 2026).
Preciso tratar a SOP mesmo sem querer engravidar?
Sim. Mesmo sem desejo de gestação, o tratamento regula o ciclo, protege o endométrio e reduz o risco de diabetes e doenças cardiovasculares (OMS, 2026).
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