Para muitas mulheres, o nome “Papanicolau” ainda gera dúvida e até receio. Mas esse exame é simples, rápido e uma das ferramentas mais eficazes para prevenir o câncer de colo do útero. Entender o que ele detecta e quando fazer é o primeiro passo para cuidar da sua saúde com segurança e tranquilidade.
O Papanicolau é o exame preventivo mais usado no Brasil para identificar, ainda em fase inicial, alterações nas células do colo do útero que podem evoluir para câncer. Ele faz parte da rotina de prevenção ginecológica e é recomendado para mulheres entre 25 e 64 anos que já tiveram atividade sexual (INCA, 2025b). Saber quando ir ao ginecologista e manter o rastreamento em dia faz toda a diferença.
Neste artigo, você vai entender o que o exame detecta, como é feita a coleta, com que idade e frequência fazê-lo e o que mudou com o novo teste de DNA-HPV no SUS. Se você mora em Taquara ou no Vale do Paranhana, também vai saber como se preparar e quando procurar avaliação.
Por que o exame é tão importante?
O câncer de colo do útero é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre as mulheres no Brasil, atrás apenas do câncer de mama e do colorretal (INCA, 2026). Para cada ano do triênio 2023-2025, o Instituto estimou 17.010 casos novos da doença, um risco de cerca de 15 casos para cada 100 mil mulheres (INCA, 2022).
A doença também é a que mais mata mulheres até os 36 anos no país (FEBRASGO, 2025). No Brasil, são quase 19 mortes por dia por câncer de colo do útero (FEBRASGO, 2026). Em 2023, foram registrados 7.209 óbitos pela doença no país, segundo dados do Ministério da Saúde (COFEN, 2025). O impacto é maior nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, reflexo de desigualdades de acesso à vacinação, ao rastreamento e ao tratamento (FEBRASGO, 2026).
A boa notícia é que esse é um dos cânceres mais preveníveis. A infecção persistente pelo HPV é responsável por 99% dos casos, e os tipos 16 e 18 respondem por cerca de 70% deles (INCA, 2024). No mundo, é o quinto tipo mais diagnosticado entre mulheres, com cerca de 604 mil novos casos e 280 mil mortes em 2024 (Organização Mundial da Saúde, 2026). O rastreamento periódico permite detectar e tratar as lesões precursoras antes que evoluam para o câncer.
O enfrentamento da doença ganhou uma meta global: a OMS quer eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030. Para isso, os países precisam garantir que 90% das meninas sejam vacinadas contra o HPV até os 15 anos, que 70% das mulheres façam o rastreamento com teste de alta performance aos 35 e aos 45 anos e que 90% das mulheres com lesões precursoras ou câncer recebam tratamento (Organização Mundial da Saúde, 2026; OPAS, 2025).
O que é o exame Papanicolau?
O Papanicolau é um teste que analisa as células do colo do útero para detectar alterações precoces. Ele também é chamado de citologia oncótica cervical.
Esse é o exame que permite fazer o diagnóstico da doença bem no início, antes mesmo de a mulher ter sintomas (INCA, 2023b). A principal função é identificar lesões precursoras do câncer de colo do útero — alterações que ainda não são câncer, mas que podem evoluir se não forem tratadas. Detectadas cedo, essas lesões podem ser tratadas e a progressão para o câncer, evitada (INCA, 2025a).
O que o Papanicolau detecta?
O exame detecta alterações nas células do colo do útero causadas principalmente pelo HPV. Essas alterações são classificadas como lesões de baixo grau, chamadas de NIC I, e lesões de alto grau, chamadas de NIC II e NIC III. As lesões de alto grau são as verdadeiras precursoras do câncer e precisam de investigação e tratamento (INCA, 2023a).
Além das lesões precursoras, o Papanicolau também pode indicar a presença de outras infecções que precisam de tratamento. O resultado ajuda o médico a orientar a conduta correta.
É importante esclarecer: o Papanicolau não detecta o HPV diretamente. Ele identifica as alterações que o vírus pode causar nas células. A pesquisa do DNA do vírus é feita por outro exame, o teste molecular de HPV (INCA, 2023a). A infecção pelo HPV é muito comum — estima-se que cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas a adquiram ao longo da vida, e na maioria dos casos ela regride espontaneamente entre seis meses e dois anos (INCA, 2024).
O exame também não avalia outros órgãos, como ovários ou endométrio. Ele é específico para o colo do útero.
Resultado normal × resultado alterado: o que significa?
Um resultado normal indica que não foram encontradas alterações nas células do colo do útero. Nesse caso, você segue o intervalo recomendado de rastreamento.
Um resultado alterado não significa, na maioria dos casos, que você tem câncer. Alterações leves, chamadas de ASC-US ou lesões de baixo grau, costumam regredir sozinhas. Já as lesões de alto grau exigem exames complementares, como a colposcopia, para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento (CDC, 2025; INCA, 2023b).
A conduta depende do tipo de alteração encontrada. Em caso de infecção pelo HPV ou lesão de baixo grau, o exame costuma ser repetido em seis meses. Em lesões de alto grau, o médico decide a melhor conduta, com a realização de exames complementares, como a colposcopia. Quando a amostra é insatisfatória — quantidade insuficiente de material —, a coleta é repetida (INCA, 2023b).
O importante é buscar o resultado e levá-lo ao médico. Mesmo um resultado normal deve ser apresentado na consulta, para que o intervalo do próximo exame seja definido corretamente.
Como é feito o exame?
A coleta é feita com a introdução de um espéculo na vagina — o instrumento popularmente conhecido como “bico de pato”. O médico inspeciona o colo do útero e coleta uma pequena quantidade de células com uma espátula e uma escovinha. O material é colocado em uma lâmina e enviado ao laboratório de citopatologia (INCA, 2023b).
O exame é indolor e rápido. No máximo, pode causar um pequeno desconforto, que diminui se você conseguir relaxar e se a coleta for feita com técnica delicada (INCA, 2023b).
Para garantir um resultado confiável, evite relações sexuais, mesmo com camisinha, no dia anterior. Também evite duchas, medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas antes do exame. E não agende a coleta durante a menstruação, pois o sangue pode alterar o resultado (INCA, 2023b).
Grávidas podem fazer o exame sem prejuízo para a saúde delas ou do bebê (INCA, 2023b).
Quando fazer o Papanicolau?
No Brasil, o rastreamento é recomendado para mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram atividade sexual (INCA, 2025b).
A rotina clássica com a citologia é: dois exames anuais consecutivos com resultado normal e, depois, o exame a cada três anos (INCA, 2025b; INCA, 2023b). O intervalo de três anos tem base na recomendação da OMS e nas diretrizes da maioria dos países com programa organizado de rastreamento. Não há evidências de que o exame anual seja significativamente mais eficaz do que o realizado a cada três anos (INCA, 2025b).
Antes dos 25 anos, predominam as infecções por HPV e as lesões de baixo grau, que regridem espontaneamente na maioria dos casos. Por isso, o rastreamento não é prioridade nessa faixa etária (INCA, 2025b).
Após os 64 anos, se você fez os exames regularmente com resultados normais, o risco de desenvolver a doença é baixo, dada a evolução lenta do câncer de colo do útero (INCA, 2025b).
Mulheres com HIV ou imunossuprimidas devem iniciar o rastreamento logo após o início da atividade sexual e seguir a periodicidade recomendada para cada teste (INCA, 2025b). Mulheres sem história de atividade sexual ou que fizeram histerectomia total por razões não relacionadas ao câncer não precisam ser rastreadas (INCA, 2025b).
Quem tomou a vacina contra o HPV também deve manter o exame preventivo em dia. A vacina protege contra os principais tipos oncogênicos, responsáveis por cerca de 70% dos casos, mas não contra todos (INCA, 2023a).
Papanicolau × teste de DNA-HPV: o que mudou?
Em 2025, o Ministério da Saúde publicou novas diretrizes que tornam o teste molecular de DNA-HPV o exame primário de rastreamento do câncer de colo do útero no SUS. A mudança foi aprovada pela Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13/2025 (Brasil, 2025; INCA, 2025b).
O teste de DNA-HPV detecta a presença do vírus antes do surgimento de lesões e tem maior sensibilidade que a citologia. A coleta é semelhante à do Papanicolau e pode ser feita por profissional de saúde ou por autocoleta (Ministério da Saúde, 2025). A tecnologia identifica 14 genótipos do HPV (OPAS, 2025). Quando o resultado é negativo, o intervalo recomendado para o próximo teste é de cinco anos (INCA, 2025b; Ministério da Saúde, 2025).
A implementação no SUS é gradativa. O lançamento ocorreu em agosto de 2025, com início em 12 estados (OPAS, 2025). A meta é que, até dezembro de 2026, o rastreamento esteja disponível em todo o território nacional, beneficiando 7 milhões de mulheres de 25 a 64 anos por ano na rede pública (Laboissière, 2025).
Enquanto o novo teste não está implantado em todas as localidades, o Papanicolau continua sendo uma técnica segura e eficaz, garantindo a continuidade da prevenção (INCA, 2025b). A infecção pelo HPV, principal causa da doença, é abordada em detalhes no artigo sobre HPV.
Na prática clínica particular, a conduta é individualizada. O médico avalia seu histórico e define o melhor exame e o intervalo adequado para você.
Quando procurar o ginecologista?
Você deve procurar o ginecologista para iniciar ou retomar o rastreamento se está na faixa de 25 a 64 anos e não faz o exame há mais de três anos. Também vale buscar avaliação se você tem resultado alterado e ainda não fez o acompanhamento, ou se tem dúvidas sobre a vacinação contra o HPV e o teste de DNA-HPV.
Fique atenta a sinais como sangramento fora do período menstrual, sangramento após relação sexual, dor pélvica persistente e corrimento anormal — eles merecem avaliação médica mesmo com os exames preventivos em dia (FEBRASGO, 2026). Manter o check-up ginecológico por idade em dia é a forma mais eficaz de prevenção.
Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria Conjunta SAES/SECTICS nº 13, de 29 de julho de 2025. Aprova as Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer de Colo do Útero. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/relatorios/portaria/2025/portaria-conjunta-saes-sectics-no-13-de-29-de-julho-de-2025. Acesso em: 15 set. 2026.
CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION (CDC). Screening for cervical cancer. Atlanta: CDC, 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/cervical-cancer/screening/index.html. Acesso em: 15 set. 2026.
CONSELHO FEDERAL DE ENFERMAGEM (COFEN). Ministério da Saúde publica novas diretrizes para rastreamento do câncer do colo do útero. Brasília, DF: COFEN, 2025. Disponível em: https://www.cofen.gov.br/ministerio-da-saude-publica-novas-diretrizes-para-rastreamento-do-cancer-do-colo-do-utero/. Acesso em: 15 set. 2026.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). Alerta: o câncer do colo do útero é o que mais mata mulheres até os 36 anos de idade no Brasil. São Paulo: FEBRASGO, 2025. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/alerta-o-cancer-do-colo-do-utero-e-o-que-mais-mata-mulheres-ate-os-36-anos-de-idade-no-brasil/. Acesso em: 15 set. 2026.
FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA (FEBRASGO). No Brasil, quase 19 mulheres morrem por dia vítimas do câncer do colo do útero. São Paulo: FEBRASGO, 2026. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/no-brasil-quase-19-mulheres-morrem-por-dia-vitimas-do-cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 15 set. 2026.
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INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Detecção precoce do câncer do colo do útero. Rio de Janeiro: INCA, 2025b. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/gestor-e-profissional-de-saude/controle-do-cancer-do-colo-do-utero/acoes/deteccao-precoce. Acesso em: 15 set. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). Versão para população. Rio de Janeiro: INCA, 2023b. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/cancer/tipos/colo-do-utero/versao-para-populacao. Acesso em: 15 set. 2026.
INSTITUTO NACIONAL DE CÂNCER (INCA). INCA estima 781 mil novos casos de câncer por ano no Brasil entre 2026 e 2028. Rio de Janeiro: INCA, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inca/pt-br/assuntos/noticias/2026/inca-estima-781-mil-novos-casos-de-cancer-por-ano-no-brasil-entre-2026-e-2028. Acesso em: 15 set. 2026.
LABOISSIÈRE, Paula. Saiba como é o novo teste do SUS para detectar câncer de colo do útero. Agência Brasil, Brasília, 15 ago. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2025-08/saiba-como-e-o-novo-teste-do-sus-para-detectar-cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 15 set. 2026.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Rastreamento do câncer de colo do útero: diretriz brasileira. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2025. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/pcdt/r/rastreamento-cancer-do-colo-do-utero. Acesso em: 15 set. 2026.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE (OMS). Cervical cancer. Genebra: OMS, 2026. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cervical-cancer. Acesso em: 15 set. 2026.
ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE (OPAS). Brasil inicia implementação do teste de biologia molecular DNA-HPV, com apoio da OPAS. Brasília, DF: OPAS, 2025. Disponível em: https://www.paho.org/pt/noticias/18-8-2025-brasil-inicia-implementacao-do-teste-biologia-molecular-dna-hpv-com-apoio-da. Acesso em: 15 set. 2026.
Perguntas frequentes
O que o exame Papanicolau detecta?
O Papanicolau detecta alterações nas células do colo do útero, principalmente lesões precursoras do câncer causadas pelo HPV. Ele também pode indicar outras infecções, como candidíase, tricomoníase e vaginose bacteriana.
Papanicolau detecta HPV?
Não diretamente. O exame identifica as alterações que o vírus pode causar nas células do colo do útero. A pesquisa do DNA do HPV é feita por um teste específico, o teste molecular de DNA-HPV.
Com que idade devo começar a fazer o Papanicolau?
No Brasil, o rastreamento é recomendado a partir dos 25 anos para mulheres que já tiveram atividade sexual. Antes dessa idade, predominam infecções e lesões de baixo grau que regridem espontaneamente.
De quanto em quanto tempo devo fazer o exame?
Com a citologia, a rotina é de dois exames anuais consecutivos com resultado normal e, depois, um exame a cada três anos. Com o teste de DNA-HPV negativo, o intervalo pode ser de cinco anos.
Resultado alterado significa que tenho câncer?
Na maioria dos casos, não. Alterações leves costumam regredir sozinhas. Lesões de alto grau exigem exames complementares, como a colposcopia, para confirmar o diagnóstico e definir o tratamento.
Como me preparar para o exame?
Evite relações sexuais, duchas e medicamentos vaginais nas 48 horas anteriores. Não agende a coleta durante a menstruação. Grávidas podem fazer o exame sem prejuízo.
Quem tomou a vacina contra o HPV ainda precisa fazer o Papanicolau?
Sim, na maioria dos casos. A vacina protege contra os principais tipos oncogênicos, responsáveis por cerca de 70% dos casos, mas não contra todos. O exame preventivo deve ser mantido.
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