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HPV: o que é, sintomas e vacina

HPV — vírus com escudo protetor em line art dourada sobre fundo escuro, capa editorial

Você provavelmente já ouviu falar do HPV — e talvez também já tenha escutado meia dúzia de mitos sobre ele. O papilomavírus humano é a infecção sexualmente transmissível (IST) mais comum do mundo, segundo o Ministério da Saúde, e mesmo assim continua cercado de desinformação. A boa notícia é que, na maioria dos casos, o próprio corpo resolve a infecção. E, quando ela persiste, existe prevenção eficaz — incluindo uma vacina gratuita pelo SUS.

Neste artigo, você vai entender o que é o HPV, como ele se manifesta (ou não se manifesta), quais sintomas merecem atenção e como a vacina entra nessa história. O objetivo é que você saia daqui com informação clínica correta e sem medo. Quando o assunto é HPV, conhecimento é a primeira camada de proteção.

Se você mora em Taquara ou no Vale do Paranhana e sente que está na hora de colocar os exames em dia, saber quando ir ao ginecologista é o primeiro passo de uma rotina de cuidado. A leitura deste artigo é o segundo.

O que é o HPV?

O HPV (sigla em inglês para papilomavírus humano) é um vírus que infecta a pele e as mucosas — como a região genital, a boca e a garganta. Existem mais de 200 tipos de HPV, segundo o Ministério da Saúde e a OPAS/OMS. A maioria deles é inofensiva. Alguns tipos provocam verrugas na região genital e no ânus; outros estão associados a tumores malignos, como o câncer de colo do útero, de ânus, de pênis, de boca e de garganta.

O HPV é uma IST, e o termo importa: a sigla antiga DST foi substituída por infecção sexualmente transmissível justamente porque muitas dessas infecções não causam sintomas visíveis. Estima-se que cerca de 80% das pessoas sexualmente ativas entrem em contato com o vírus em algum momento da vida, de acordo com a FEBRASGO. Quase todas as pessoas sexualmente ativas serão infectadas em algum momento, reforça a OPAS/OMS.

Ter HPV, portanto, não é exceção — é uma das situações mais frequentes na vida adulta. O que faz diferença é o tipo de vírus e, principalmente, se a infecção persiste ou é eliminada pelo organismo.

Quais os tipos de HPV e o que eles causam?

Os tipos de HPV são divididos em dois grupos: os de baixo risco oncogênico e os de alto risco. Essa classificação define o que cada infecção pode causar.

  • Os tipos 6 e 11 são de baixo risco e respondem por cerca de 90% das verrugas genitais (condilomas), segundo a FEBRASGO e a OPAS/OMS. Eles não estão associados ao câncer.
  • Os tipos 16 e 18 são os de maior risco. Juntos, são responsáveis por cerca de 70% dos casos de câncer de colo do útero no mundo, conforme a OMS, o INCA e a OPAS/OMS. O INCA associa esses dois tipos também a até 90% dos cânceres de ânus, até 60% dos cânceres de vagina e até 50% dos cânceres de vulva.
  • Além do 16 e do 18, existem outros tipos de alto risco (31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 e 59). Quando os cinco tipos adicionais cobertos pela vacina nonavalente (31, 33, 45, 52 e 58) entram na conta, a proteção potencial contra o câncer de colo do útero sobe de cerca de 70% para cerca de 90%, de acordo com a OPAS/OMS.

Um dado brasileiro ajuda a dimensionar a situação: o estudo POP-Brasil, financiado pelo Ministério da Saúde, encontrou prevalência de HPV de 53,6% na amostra nacional avaliada — sendo 35,2% com pelo menos um tipo de alto risco —, segundo a FEBRASGO. Ou seja: o vírus é comum, e a maioria dessas infecções não evolui para doença.

Como o HPV é transmitido?

A transmissão acontece por contato direto com a pele ou a mucosa infectada. A principal via é a sexual — e isso inclui contato oral-genital, genital-genital e até manual-genital. Por isso, o contágio pode ocorrer mesmo sem penetração vaginal ou anal, conforme o Ministério da Saúde.

Um ponto que muita gente desconhece: como a maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas, elas não sabem que têm o vírus — mas podem transmiti-lo. Também existe a possibilidade, mais rara, de transmissão da mãe para o bebê durante o parto, de acordo com o Ministério da Saúde e a OPAS/OMS.

O preservativo reduz o risco, mas não elimina por completo a possibilidade de transmissão. As lesões podem estar em áreas não cobertas pela camisinha, como a vulva e a região pubiana. A camisinha feminina, por cobrir também a vulva, oferece proteção mais ampla quando usada desde o início da relação, observa o Ministério da Saúde.

Quais os sintomas do HPV na mulher?

A resposta curta: na maioria das mulheres, nenhum. A infecção pelo HPV costuma ser silenciosa, e é exatamente isso que a torna traiçoeira.

Segundo o Ministério da Saúde, o vírus pode ficar latente de meses a anos sem manifestar sinais. Quando as manifestações aparecem, elas surgem, em média, entre 2 e 8 meses após o contato — mas pode levar até 20 anos para algum sinal se tornar visível. A queda da imunidade pode reativar o vírus e provocar o aparecimento de lesões.

Quando há sintomas, a manifestação mais conhecida são as verrugas genitais (tecnicamente, condilomas acuminados), conhecidas popularmente como “crista de galo” ou “figueira”. Elas podem ser únicas ou múltiplas, achatadas ou elevadas, e costumam aparecer na vulva, na vagina e no ânus. Em geral são indolores, mas podem causar coceira. Essas verrugas normalmente são provocadas por tipos não cancerígenos do vírus, esclarece o Ministério da Saúde.

Já as alterações causadas pelos tipos de alto risco no colo do útero são lesões subclínicas: não são visíveis a olho nu e não causam sintomas. Elas só costumam ser identificadas quando a mulher faz o exame preventivo. Por isso, um resultado alterado de Papanicolau pode ser a primeira — e única — pista de uma infecção por HPV de alto risco. Gestantes e mulheres com imunidade baixa tendem a ter manifestações mais frequentes, acrescenta o Ministério da Saúde.

O que acontece quando o HPV não desaparece?

Na maior parte dos casos, o sistema imunológico elimina o HPV sozinho em um ou dois anos, segundo a OPAS/OMS — o Ministério da Saúde fala em resolução espontânea em até 24 meses na maioria das infecções. A OMS estima que, em cerca de 90% das pessoas, o próprio organismo controla a infecção sem que ela evolua para doença. É por isso que ter HPV, por si só, não é motivo de pânico.

O problema surge quando a infecção persiste. A persistência de um tipo de alto risco pode levar, ao longo dos anos, ao desenvolvimento de lesões precursoras no colo do útero — alterações nas células que, se não forem detectadas e tratadas, podem evoluir para câncer. O INCA é claro: a infecção pelo HPV é um fator necessário, mas não suficiente, para o desenvolvimento do câncer de colo do útero. A maioria das mulheres infectadas nunca desenvolve a doença.

Alguns fatores aumentam o risco de progressão, como tabagismo, uso prolongado de anticoncepcionais orais, número elevado de gestações, imunossupressão e infecção pelo HIV, de acordo com o INCA. O contexto ajuda a entender por que o acompanhamento ginecológico regular faz diferença: ele permite interceptar a história antes de ela virar câncer.

Como é feito o diagnóstico do HPV?

O diagnóstico depende do tipo de lesão. Verrugas visíveis são identificadas no exame clínico ginecológico, dermatológico ou urológico. Já as lesões subclínicas do colo do útero são detectadas por exames como o preventivo (Papanicolau), a colposcopia e, quando necessário, a biópsia, conforme o Ministério da Saúde.

Vale esclarecer um ponto comum de confusão: o exame preventivo não diagnostica a presença do HPV em si. Ele detecta células anormais no colo do útero — as alterações que o vírus pode causar — e é considerado o melhor método para identificar o câncer e suas lesões precursoras, segundo o Ministério da Saúde. Quando essas alterações são encontradas e tratadas a tempo, a evolução para câncer pode ser evitada na grande maioria dos casos.

Em 2024, o Ministério da Saúde incorporou ao SUS o teste molecular de DNA-HPV para o rastreamento do câncer de colo do útero. A nova tecnologia, mais sensível, permite ampliar o intervalo entre os exames para até cinco anos e substituirá gradualmente o Papanicolau como exame de rotina — que passa a ser usado para confirmação quando o teste molecular é positivo, informa o Ministério da Saúde. A transição está em curso na rede pública, com meta de cobertura nacional até dezembro de 2026.

Como é o tratamento das lesões causadas pelo HPV?

Não existe um medicamento que elimine o vírus do organismo. O que existe é tratamento eficaz para as lesões que o HPV provoca — e é isso que muda o prognóstico. Verrugas genitais podem ser tratadas com métodos químicos, cirúrgicos ou imunológicos, sempre de forma individualizada, considerando a extensão, a quantidade e a localização das lesões, de acordo com o Ministério da Saúde.

É importante ser honesta sobre o comportamento das lesões: independentemente do tratamento, elas podem desaparecer, permanecer inalteradas ou aumentar em número e volume, observa o Ministério da Saúde. O que não se recomenda, em hipótese alguma, é a automedicação. O INCA alerta que receitas caseiras e medicamentos sem indicação médica podem causar efeitos adversos e danos à saúde — o tratamento do HPV exige avaliação profissional.

No colo do útero, o manejo das lesões precursoras é feito com acompanhamento e, quando indicado, tratamento das alterações para impedir a progressão. Esse é exatamente o papel do rastreamento: encontrar cedo para tratar cedo.

Como se prevenir? A vacina é a principal forma

A prevenção do HPV tem três camadas complementares: vacinação, uso de preservativo e exame preventivo em dia. Nenhuma delas substitui as outras.

A vacina é a medida mais eficaz, segundo o Ministério da Saúde. No Brasil, o SUS oferece gratuitamente a vacina quadrivalente, que protege contra os quatro tipos mais frequentes: 6, 11, 16 e 18. O esquema atual é de dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, conforme a Nota Técnica nº 16/2025 do Ministério da Saúde. Adolescentes de 15 a 19 anos que nunca se vacinaram também recebem dose única na estratégia de resgate do Ministério da Saúde, conforme a Nota Técnica nº 41/2024. Para imunossuprimidos, vítimas de abuso sexual e usuários de PrEP, há esquemas específicos com duas ou três doses.

A mudança para dose única não foi arbitrária: ela se apoia em evidências revisadas pelo grupo consultivo da OMS (SAGE), que em 2022 concluiu que uma dose oferece proteção comparável à de esquemas com duas doses — o que simplifica a logística e amplia a cobertura, de acordo com a OMS. A estratégia global da OMS para eliminar o câncer de colo do útero é a meta “90-70-90”: vacinar 90% das meninas até os 15 anos, garantir rastreamento para 70% das mulheres e tratamento para 90% das com lesões, até 2030, conforme a OPAS/OMS.

Por que vacinar tão cedo? Porque a vacina funciona melhor antes do contato com o vírus. A OPAS/OMS destaca que, entre 9 e 14 anos, a vacinação é mais eficaz — período anterior ao início da vida sexual — e a FEBRASGO reforça que, nessa faixa, não há questionamento quanto à efetividade e à segurança. Os números brasileiros mostram o avanço: em 2024, a cobertura entre meninas de 9 a 14 anos chegou a 82,83% (ante 78,42% em 2022), e entre meninos saltou de 45,46% para 67,26% — superando a média global de 12%, segundo a UNA-SUS. Desde 2014, o SUS já distribuiu mais de 75 milhões de doses.

E para a mulher adulta? A vacina nonavalente, aprovada pela Anvisa para uso na rede privada, protege contra nove tipos (6, 11, 16, 18, 31, 33, 45, 52 e 58) e é indicada para mulheres de 9 a 45 anos, conforme as recomendações da FEBRASGO. Ela amplia a proteção contra o câncer de colo do útero de cerca de 70% para cerca de 90%. Mesmo quem já teve HPV pode se beneficiar: a vacina protege contra os tipos com os quais a pessoa ainda não teve contato, e estudos indicam menor risco de recidiva em mulheres com lesões prévias tratadas, acrescenta a FEBRASGO. A vacina não trata infecções já existentes — por isso o ideal é não adiar.

Os resultados dessa estratégia já aparecem em dados reais. Nos Estados Unidos, onde a vacina é usada desde 2006, a prevalência de infecções pelos tipos cobertos pela vacina caiu 88% entre mulheres de 14 a 19 anos e 81% entre mulheres de 20 a 24 anos, segundo o CDC. A proteção se mantém por pelo menos 12 anos de acompanhamento, sem evidência de queda, e a vacina tem potencial de prevenir mais de 90% dos cânceres causados pelo HPV, de acordo com o CDC. As reações são, na maioria, leves e locais — dor, vermelhidão e inchaço no braço —, sendo os eventos graves raros, segundo a FEBRASGO.

Um alerta essencial: a vacina não substitui o exame preventivo (Papanicolau). Ela protege contra os tipos mais frequentes, mas não contra todos os tipos oncogênicos. A combinação vacina + rastreamento é o que permite falar em prevenção real do câncer de colo do útero — uma doença que, no Brasil, ainda é o terceiro tipo de câncer mais incidente entre mulheres, com estimativa de 17.010 casos novos por ano no triênio 2023–2025 e 6.627 óbitos em 2020, segundo a FEBRASGO e o INCA. A quase totalidade desses casos está ligada ao HPV — e a quase totalidade poderia ser evitada.

Quando procurar o ginecologista

Você deve procurar avaliação se notar verrugas ou lesões na região genital, se recebeu um resultado alterado no preventivo ou se tem dúvidas sobre a vacinação na sua idade ou na dos seus filhos. Mulheres com histórico de HPV, gestantes com lesões prévias ou com parceiro que teve HPV também merecem acompanhamento — durante o pré-natal, é importante informar o médico sobre o histórico, pois a gravidez pode aumentar as manifestações do vírus, como observa o INCA. Na maior parte dos casos, a infecção não exige tratamento e só pede vigilância; a decisão certa para cada situação é individual — e isso se define em consulta, não por palpites ou receitas caseiras. Se a sua dúvida é sobre a frequência ideal de exames em cada fase da vida, o check-up ginecológico por idade ajuda a organizar essa rotina. Em Taquara e região, manter o preventivo em dia e o histórico de vacinação atualizado é a base de uma ginecologia preventiva de verdade.

Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender, tirar suas dúvidas sobre o HPV e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.

Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.

Referências (ABNT NBR 6023:2018)

Perguntas frequentes

O HPV tem cura?

Na maioria dos casos, o organismo elimina o HPV sozinho em até dois anos, segundo o Ministério da Saúde. Quando a infecção persiste e causa verrugas ou alterações no colo do útero, essas lesões têm tratamento eficaz — não existe um remédio que elimine o vírus, e sim tratamento das manifestações, sempre com acompanhamento médico.

HPV é uma IST? Preciso tratar meu parceiro?

Sim, o HPV é uma infecção sexualmente transmissível e pode ser transmitido mesmo sem sintomas e sem penetração. O Ministério da Saúde orienta que as parcerias sexuais sejam aconselhadas e avaliadas, pois a infecção pode passar despercebida — em alguns casos, uma consulta para o casal é indicada.

Quais os primeiros sintomas do HPV na mulher?

Na maioria das mulheres não há sintomas. Quando aparecem, a manifestação mais comum são verrugas na vulva, na vagina ou no ânus, que podem causar coceira. As alterações provocadas pelos tipos de alto risco no colo do útero são silenciosas e costumam ser descobertas no exame preventivo.

Quem pode tomar a vacina contra o HPV?

No SUS, meninas e meninos de 9 a 14 anos recebem dose única gratuita, e adolescentes de 15 a 19 anos que não se vacinaram podem ser vacinados na estratégia de resgate. Na rede privada, a vacina nonavalente é aprovada para mulheres e homens de 9 a 45 anos, conforme avaliação médica.

A vacina contra o HPV tem efeitos colaterais?

As reações mais comuns são leves e passageiras, como dor, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. O CDC observa que desmaios são mais frequentes entre adolescentes após qualquer vacina, por isso é recomendado permanecer sentado por cerca de 15 minutos depois da dose.

Já tive HPV. Ainda posso me vacinar?

Sim. A vacina não trata uma infecção já existente, mas protege contra os tipos de HPV com os quais você ainda não teve contato. Segundo a FEBRASGO, mulheres com lesões prévias já tratadas podem ter menor risco de recidiva ou reinfecção após a vacinação.

A vacina contra o HPV substitui o exame preventivo?

Não. Vacina e preventivo são complementares. Mesmo vacinada, é essencial manter o exame preventivo em dia, pois a vacina não cobre todos os tipos oncogênicos de HPV — a orientação é do Ministério da Saúde e do INCA.

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