Você já ouviu falar em mioma uterino? O nome costuma assustar, mas a realidade é mais tranquila do que parece. Miomas são nódulos benignos formados por tecido muscular que crescem no útero. Eles também são conhecidos como fibromas ou leiomiomas (FEBRASGO, 2017).
A boa notícia é que, na maior parte das mulheres, os miomas não causam sintomas e não exigem tratamento (FEBRASGO, 2017). Mesmo assim, entender o que são, quais sinais merecem atenção e quando buscar ajuda faz toda a diferença para cuidar da sua saúde com segurança.
Neste artigo, você vai entender o que é o mioma uterino, quais são os sintomas, como é feito o diagnóstico e quando o tratamento é realmente indicado. Se você sente dores pélvicas fortes ou sangramento intenso, vale também conhecer a endometriose, condição que pode coexistir com os miomas e apresentar sintomas parecidos.
O que é mioma uterino?
O mioma uterino é um tumor benigno formado por células do músculo liso do útero. Ele não é câncer e, na grande maioria dos casos, não evolui para malignidade (CDC, [s. d.]). Na verdade, os miomas estão entre os tumores benignos mais comuns do aparelho reprodutivo feminino (CONITEC, 2026). Eles podem ser únicos ou múltiplos e variam de tamanhos muito pequenos até volumes consideráveis.
A localização do mioma influencia diretamente os sintomas. Segundo a FEBRASGO (2017), eles podem estar dentro da cavidade uterina (submucosos), dentro da parede do útero (intramurais) ou na superfície (subserosos). O protocolo do Ministério da Saúde reconhece exatamente essas três localizações, com os códigos D25.0 (submucoso), D25.1 (intramural) e D25.2 (subseroso) (CONITEC, 2026).
Cada localização tende a se comportar de uma forma. Os submucosos, que crescem em direção à cavidade, costumam ser os que mais provocam sangramento e impacto na fertilidade. Os intramurais ficam dentro da parede e podem aumentar o volume do útero. Já os subserosos crescem para fora e, quando grandes, podem comprimir órgãos vizinhos. Entender onde está o mioma ajuda a prever quais sintomas podem aparecer e orienta a conversa sobre o melhor caminho de cuidado.
Quais são as causas e os fatores de risco do mioma?
A causa exata do mioma ainda não é conhecida. Sabe-se, porém, que o crescimento tem relação direta com alterações genéticas de cada mulher (FEBRASGO, 2017). Os miomas respondem ao estrogênio, o que explica por que tendem a diminuir após a menopausa (MSD Manual, [s. d.]).
A prevalência é alta. Estima-se que cerca de 80% das mulheres em idade fértil tenham miomas (FEBRASGO, 2017). A frequência aumenta com a idade: nos Estados Unidos, a prevalência aos 50 anos é de aproximadamente 70% em mulheres brancas e 80% em mulheres negras (MSD Manual, [s. d.]).
Alguns fatores aumentam o risco, como histórico familiar e excesso de peso (CDC, [s. d.]). A partir dos 30 anos, a atenção deve ser maior, principalmente se houver casos na família, como mãe ou irmã (FEBRASGO, 2017).
Quais são os sintomas do mioma uterino?
A maioria dos miomas é assintomática. Estima-se que metade das mulheres com mioma não apresenta sintomas ao longo da fase reprodutiva (FEBRASGO, 2020). Quando aparecem, os sinais mais comuns são:
- Sangramento menstrual aumentado, muitas vezes com coágulos, que pode levar à anemia (FEBRASGO, 2017).
- Dor pélvica ou sensação de peso no abdômen (CDC, [s. d.]).
- Aumento do volume abdominal (FEBRASGO, 2020).
- Sintomas compressivos, como aumento da frequência urinária e constipação (FEBRASGO, 2017).
- Dor durante a relação sexual e dor na região lombar (CDC, [s. d.]).
- Em alguns casos, infertilidade ou abortamentos de repetição (CDC, [s. d.]).
O sangramento intenso é o sintoma mais frequente e merece atenção. A menstruação abundante é uma das principais queixas e pode levar à anemia por deficiência de ferro (FEBRASGO, 2017). Se o fluxo vem aumentando ao longo dos ciclos ou passa a exigir trocas muito frequentes de absorvente, vale registrar e levar essa observação à consulta — é um dado importante para o diagnóstico.
Como é feito o diagnóstico do mioma?
O diagnóstico começa pela avaliação da sua história clínica e pelo exame ginecológico. O protocolo do Ministério da Saúde estrutura o diagnóstico em avaliação clínica, exame físico ginecológico, exames complementares e diagnóstico por imagem (CONITEC, 2026). A ultrassonografia é o exame de imagem mais utilizado para identificar os miomas, por ser não invasivo e de baixo custo (CONITEC, 2026).
Muitas vezes, o mioma é identificado durante um exame de rotina ou de forma incidental, em exames de imagem feitos por outros motivos. Por isso, manter o acompanhamento ginecológico periódico é essencial para o diagnóstico precoce e para o planejamento do cuidado.
Como é feito o tratamento do mioma uterino?
O tratamento é sempre individualizado e considera a localização, o tamanho, o número de miomas, a intensidade dos sintomas e o desejo reprodutivo da paciente (CONITEC, 2026). Miomas assintomáticos não exigem tratamento específico, apenas vigilância periódica (FEBRASGO, 2017). A retirada cirúrgica do mioma deve ser indicada apenas quando os tumores tiverem um volume considerável ou se oferecerem risco para mulheres grávidas ou para o bebê no momento do parto (FEBRASGO, 2017).
As opções incluem tratamento medicamentoso e cirúrgico, conforme o protocolo do Ministério da Saúde (CONITEC, 2026). No tratamento medicamentoso, o protocolo prevê o ácido tranexâmico para o controle do sangramento, contraceptivos orais combinados e progestagênios, o DIU de levonorgestrel (DIU-LNG) e os análogos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH), inclusive associados à terapia de adição hormonal (CONITEC, 2026). O DIU de levonorgestrel é eficaz na redução do sangramento menstrual em mulheres com miomas, com efeitos adversos mínimos (FIGO, 2025).
Os análogos do GnRH reduzem o volume dos miomas em cerca de 35% a 60% em aproximadamente três meses (Corleta, 2007). Por isso, costumam ser usados no preparo pré-operatório, por um período de até seis meses, para diminuir o volume antes da cirurgia (Ciebiera, 2023).
Quando a cirurgia é necessária, a miomectomia retira apenas o mioma e preserva o útero, sendo a alternativa para quem deseja engravidar. A histerectomia, que remove o útero de forma parcial ou total, é indicada quando a paciente está de acordo e deseja essa solução definitiva (FEBRASGO, 2020). O protocolo do Ministério da Saúde também prevê a embolização das artérias uterinas como opção cirúrgica (CONITEC, 2026). A escolha entre as técnicas considera o desejo reprodutivo, a localização e o tamanho dos miomas, e deve ser discutida com o ginecologista.
É importante saber que o tratamento busca o controle dos sintomas. Cerca de 20% das mulheres podem apresentar recidiva em até cinco anos (FEBRASGO, 2020). Após a miomectomia, a recorrência também é comum: em um estudo, a taxa cumulativa de recorrência após a miomectomia laparoscópica chegou a cerca de 41,6% em cinco anos (Kotani, 2018). Por isso, o acompanhamento contínuo é parte do cuidado.
Mioma pode virar câncer? E quais as complicações?
A chance de um mioma se tornar maligno é extremamente baixa. Os miomas são tumores benignos e a malignização é um evento raro (CDC, [s. d.]). Ainda assim, o acompanhamento periódico é importante para monitorar o crescimento e descartar outras condições (CDC, [s. d.]).
As principais complicações estão ligadas aos sintomas não tratados, como a anemia por sangramento intenso e o impacto na fertilidade (FEBRASGO, 2017). Na gravidez, os miomas geralmente não causam sintomas, mas podem aumentar o risco de trabalho de parto prematuro, apresentação fetal anormal, placenta prévia e perda precoce da gravidez ou aborto espontâneo (MSD Manual, [s. d.]). Por isso, o planejamento reprodutivo deve ser discutido com o ginecologista.
Quando procurar o ginecologista?
Procure avaliação se você percebe sangramento menstrual muito intenso ou com coágulos, dor pélvica, sensação de peso no abdômen, aumento da frequência urinária ou dificuldade para engravidar. Esses sinais podem indicar mioma ou outras condições, como a endometriose, e merecem investigação (CDC, [s. d.]).
Também é recomendado manter a consulta de rotina, especialmente a partir dos 30 anos, quando a presença de miomas se torna mais comum (FEBRASGO, 2017). Se você tem cólicas fortes e recorrentes, vale entender a diferença em relação à cólica menstrual forte e buscar orientação.
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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
- CDC. Common reproductive health concerns for women. Disponível em: https://www.cdc.gov/reproductive-health/women-health/common-concerns.html. Acesso em: 13 set. 2026.
- CIEBIERA, M. GnRH agonists and antagonists in therapy of symptomatic uterine fibroids – current roles and future perspectives. Expert Opinion on Pharmacotherapy, 2023. Disponível em: https://www.tandfonline.com/doi/full/10.1080/14656566.2023.2248890. Acesso em: 13 set. 2026.
- CONITEC. Protocolo clínico e diretrizes terapêuticas do leiomioma de útero: relatório preliminar. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/conitec/pt-br/midias/consultas/relatorios/2026/relatorio-preliminar-pcdt-leiomioma-de-utero-cp-30. Acesso em: 13 set. 2026.
- CORLETA, H. E. Tratamento atual dos miomas. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2007. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/4mXdRJ4tm5YtDqbT7cpnq7K/?lang=pt. Acesso em: 13 set. 2026.
- FEBRASGO. Mioma uterino: um problema muito comum e quase silencioso. 2017. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/mioma-uterino-um-problema-muito-comum-e-quase-silencioso/. Acesso em: 13 set. 2026.
- FEBRASGO. Miomas: a importância de se discutir alternativas à histerectomia. 2020. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/miomas-a-importancia-de-se-discutir-alternativas-a-histerectomia/. Acesso em: 13 set. 2026.
- FIGO. Medical treatment of fibroids: FIGO best practice guidance. International Journal of Gynecology & Obstetrics, 2025. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/ijgo.70497. Acesso em: 13 set. 2026.
- KOTANI, Y. Recurrence of uterine myoma after myomectomy: open myomectomy versus laparoscopic myomectomy. Journal of Obstetrics and Gynaecology Research, 2018. Disponível em: https://obgyn.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1111/jog.13519. Acesso em: 13 set. 2026.
- MSD MANUAL. Miomas uterinos. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/profissional/ginecologia-e-obstetr%C3%ADcia/miomas-uterinos/miomas-uterinos. Acesso em: 13 set. 2026.
- MSD MANUAL. Miomas uterinos na gravidez. Disponível em: https://www.msdmanuals.com/pt/casa/problemas-de-sa%C3%BAde-feminina/miomas/miomas-uterinos-na-gravidez. Acesso em: 13 set. 2026.
Perguntas frequentes
Mioma uterino tem cura?
Mioma uterino tem tratamento eficaz, mas não existe garantia de que novos miomas não apareçam. O objetivo do tratamento é controlar os sintomas e preservar a qualidade de vida. A escolha da conduta é individualizada e depende da localização, do tamanho e do desejo de gestar.
Mioma pode virar câncer?
É muito raro. Os miomas são tumores benignos e a chance de malignização é extremamente baixa. Por isso, o acompanhamento ginecológico periódico é importante para monitorar o crescimento e descartar outras condições.
Mioma atrapalha a gravidez?
Em alguns casos, sim. Miomas que deformam a cavidade uterina, especialmente os submucosos, podem dificultar a implantação e aumentar o risco de abortamento. Por isso, o planejamento reprodutivo deve ser avaliado com o ginecologista.
Todo mioma precisa de cirurgia?
Não. A maioria dos miomas é assintomática e não exige tratamento. A cirurgia é indicada apenas quando há sintomas que comprometem a qualidade de vida, como sangramento intenso, dor pélvica ou impacto na fertilidade.
Mioma causa sangramento intenso?
Pode causar. O sangramento menstrual aumentado, muitas vezes com coágulos, é um dos sintomas mais comuns e pode levar à anemia. Se você percebe fluxo muito intenso ou sangramento entre as menstruações, vale uma avaliação.
Mioma some na menopausa?
Na maioria dos casos, os miomas tendem a diminuir de tamanho após a menopausa, pois o crescimento depende de estímulo hormonal. Porém, o acompanhamento ginecológico deve continuar para monitorar a evolução.
Quando devo procurar o ginecologista por causa de mioma?
Procure avaliação se você tem sangramento menstrual muito intenso, dor pélvica, sensação de peso no abdômen ou dificuldade para engravidar. A partir dos 30 anos, o acompanhamento de rotina ajuda a identificar miomas precocemente.
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