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Menopausa: sintomas e o que esperar de cada fase

Menopausa — anel do ciclo menstrual se dissolvendo em partículas douradas sobre fundo escuro, capa editorial

Você já deve ter ouvido frases do tipo “é uma fase”, “toda mulher passa por isso” ou “isso passa sozinho”. E elas têm um fundo de verdade: a menopausa é uma fase natural da vida, não uma doença. O que quase ninguém conta é o que realmente acontece no corpo, quanto tempo os sintomas duram e o que dá para fazer para viver bem nesse período. Se você está na casa dos 40, 50 anos ou mesmo antes, e sente que algo mudou — no ciclo, no sono, no humor ou na temperatura do corpo —, este artigo foi escrito para você. Vamos falar da menopausa de forma direta, com base em dados científicos e fontes oficiais, do sintoma ao tratamento.

A menopausa não é vivida no isolamento. Cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério e, entre elas, 9,2 milhões já estão na menopausa (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia [FEBRASGO], 2025b). Ou seja: você não está sozinha, e existe acompanhamento adequado para essa fase. O primeiro passo é entender o que está acontecendo — e saber quando ir ao ginecologista faz parte disso, para mulheres de Taquara e de todo o Vale do Paranhana.

O que é menopausa?

A menopausa é definida como a última menstruação da mulher. Para confirmar que ela aconteceu, é preciso esperar 12 meses consecutivos sem menstruar — é uma definição retroativa, como define a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2024), que considera a menopausa natural ocorrida após 12 meses consecutivos sem menstruação, na ausência de outra causa fisiológica ou patológica.

Isso significa que, no dia em que você completa um ano sem ciclo menstrual, a menopausa já aconteceu em algum momento desse período. O marco é simples. O que vem antes dele é que costuma ser a parte mais confusa: os meses (ou anos) de sintomas que antecedem a última menstruação.

Climatério e menopausa são a mesma coisa?

Não, e entender essa diferença ajuda a não se cobrar à toa. O climatério é a fase de transição do período reprodutivo para o não reprodutivo da vida da mulher — um processo longo que começa antes da menopausa e segue depois dela (FEBRASGO, 2025b; OMS, 2024).

A menopausa é um marco dentro desse processo: o dia da última menstruação. Na prática, quando a mulher diz “estou na menopausa”, quase sempre ela está falando do climatério — e é nessa fase que os sintomas aparecem. A transição costuma começar com mudanças na regularidade e no fluxo da menstruação, até a cessação completa (OMS, 2024).

O que muda no corpo durante a menopausa?

A resposta está nos hormônios. Durante a menopausa, os ovários reduzem a produção de estradiol, o principal estrogênio da mulher, e de progesterona (Oliveira et al., 2024).

O estrogênio não atua só na reprodução. Ele participa da regulação da temperatura corporal, da saúde dos ossos, do coração, da pele e das mucosas. Quando os níveis caem, o corpo inteiro sente — e é essa queda que explica por que os sintomas vão muito além das ondas de calor.

Com que idade a menopausa costuma acontecer?

Na maioria das mulheres, a menopausa acontece entre os 45 e os 55 anos (OMS, 2024; Centers for Disease Control and Prevention [CDC], 2024). Mas cada mulher tem seu tempo, e a faixa é apenas uma referência.

Quando a menopausa acontece antes dos 40 anos, ela é considerada precoce (Fundação Oswaldo Cruz [Fiocruz], 2020). Nesse caso, a mulher ainda está em idade reprodutiva típica, e a queda antecipada dos hormônios exige avaliação e acompanhamento próximos.

Quais são os sintomas da menopausa?

Os sintomas mais conhecidos — e também os mais comuns — são os vasomotores: ondas de calor (fogachos) e suores noturnos (CDC, 2024). Um estudo brasileiro publicado nas Cadernos de Saúde Pública encontrou idade média de início dos fogachos de 44,6 anos (Sclowitz et al., 2005) — ou seja, eles costumam aparecer antes mesmo da última menstruação.

Os fogachos são uma sensação súbita de calor no rosto, no pescoço e no peito, muitas vezes acompanhada de suor, palpitações e mal-estar (OMS, 2024). Quando acontecem à noite, atrapalham o sono e geram cansaço no dia seguinte.

Além dos vasomotores, a FEBRASGO lista insônia, cansaço, indisposição e ressecamento (FEBRASGO, 2025b). E a OMS acrescenta os sintomas urogenitais e emocionais (OMS, 2024):

  • Secura vaginal, dor durante a relação sexual e incontinência — causadas pela menor lubrificação e pelo afinamento das mucosas.
  • Alterações de humor e dificuldade para dormir — ligadas às oscilações hormonais e à privação de sono.
  • Irregularidade menstrual — ciclos que pulam meses e depois voltam, até a cessação completa.

A intensidade varia muito. Há mulheres com sintomas leves e curtos; outras convivem com desconforto significativo por anos. Um inquérito domiciliar brasileiro publicado na Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia avaliou a idade da menopausa e os fatores associados aos sintomas menopausais em mulheres de uma região metropolitana do sudeste do Brasil, registrando idade média de menopausa de 46,5 anos (Lui Filho et al., 2015), confirmando essa variabilidade. Dados de um inquérito internacional publicado na Maturitas (2024) reforçam que os sintomas vasomotores moderados a graves são frequentes — afetando 36,2% das mulheres brasileiras pós-menopausa — e têm impacto relevante na qualidade de vida (Machado et al., 2024), o que reforça a importância de procurar ajuda, e não apenas “aguentar”.

Essa variabilidade é exatamente o que a FEBRASGO destaca: não existe um padrão único, e o que importa é o impacto na sua qualidade de vida (FEBRASGO, 2024a).

O que é normal e o que é sinal de alerta na menopausa?

Durante a transição, é normal que o ciclo fique irregular: menstruações que pulam um mês e voltam, fluxos diferentes do habitual, ciclos mais curtos ou mais longos. Também é normal que os fogachos apareçam e variem de intensidade ao longo do tempo.

Alguns sinais, porém, merecem atenção e avaliação médica (FEBRASGO, 2024a):

  • Qualquer sangramento após 12 meses sem menstruar — mesmo que pequeno, precisa ser investigado.
  • Sangramentos volumosos ou prolongados durante a transição.
  • Sintomas que atrapalham o sono, o trabalho ou a rotina de forma consistente.
  • Menopausa antes dos 40 anos.

Nenhum desses sinais significa, sozinho, que algo grave está acontecendo. Significam apenas que chegou a hora de uma avaliação individualizada.

Como é feito o diagnóstico da menopausa?

O diagnóstico é fundamentalmente clínico. Segundo a OMS, a menopausa é confirmada pela ausência de menstruação por 12 meses consecutivos, de forma retroativa (OMS, 2024).

Na avaliação, a médica considera a idade, o padrão dos ciclos e os sintomas. Exames podem ser solicitados para afastar outras causas quando o quadro não é claro — por exemplo, quando a mulher tem menos de 40 anos ou os sintomas aparecem de forma abrupta. A decisão de pedir ou não exames é individual e deve ser conversada na consulta (FEBRASGO, 2024a).

Menopausa tem tratamento?

Sim, a menopausa tem tratamento eficaz para os sintomas — e, na maioria dos casos, a mulher não precisa conviver com desconforto sem ajuda. A primeira linha é sempre a conversa com o ginecologista para entender o que atrapalha a sua rotina.

A terapia hormonal é uma opção para aliviar os sintomas da menopausa, conforme as diretrizes brasileiras atualizadas para o climatério da FEBRASGO (FEBRASGO, 2024b). Ela repõe, em doses individualizadas, hormônios que caíram drasticamente — estrogênio e, quando indicado, progesterona — e costuma ter efeito rápido sobre fogachos e sintomas urogenitais.

É importante deixar claro: a terapia hormonal não é para todas e não é decidida de forma padronizada. A indicação considera a idade, o tempo desde a última menstruação, o histórico de saúde da mulher e seus fatores de risco. A decisão é sempre compartilhada, com base nas evidências científicas (FEBRASGO, 2024b) e não em promessas.

E existe o cuidado que começa em casa: alimentação equilibrada, atividade física regular e atenção ao sono fazem parte do manejo do climatério (FEBRASGO, 2025a). Essas medidas não eliminam os sintomas, mas ajudam o corpo a atravessar a transição com mais equilíbrio.

Como a menopausa afeta a saúde a longo prazo?

A queda do estrogênio também dialoga com a saúde cardiovascular. A Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024), publicada nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, aborda exatamente essa relação: a transição menopausal é um momento de atenção para o coração, e o acompanhamento ginecológico é parte dessa vigilância (Oliveira et al., 2024).

Os ossos também sentem a queda hormonal. Com menos estrogênio, a perda de massa óssea tende a acelerar, o que aumenta o risco de osteoporose e de fraturas com o passar dos anos — por isso, a avaliação da saúde óssea faz parte do cuidado no climatério (Oliveira et al., 2024; FEBRASGO, 2025a).

Além do coração e dos ossos, a queda hormonal pode influenciar o metabolismo e a composição corporal, o que reforça o papel da prevenção ativa nesse período. O acompanhamento periódico permite detectar cedo alterações que, tratadas a tempo, preservam a qualidade de vida por décadas.

É por isso que o cuidado na menopausa não se resume a tratar ondas de calor. O ginecologista avalia a saúde como um todo — coração, ossos, tireoide, mamas e colo do útero, com o Papanicolau em dia — e mantém o check-up ginecológico por idade atualizado. A menopausa é um bom momento para intensificar a prevenção, não para afrouxá-la.

Quando procurar o ginecologista?

Se você está na transição e os sintomas estão leves, o acompanhamento regular já é suficiente. Mas vale procurar o ginecologista quando:

  • Os sintomas atrapalham o sono, o trabalho ou a vida social de forma recorrente.
  • Você tem fogachos muito frequentes ou suores noturnos que interrompem o descanso.
  • A secura vaginal causa dor nas relações ou desconforto no dia a dia.
  • qualquer sangramento após 12 meses sem menstruar.
  • A menstruação parou antes dos 40 anos.
  • Você quer entender se a terapia hormonal é uma opção para o seu caso — e quais são os prós e contras para você.

Procurar ajuda nessa fase não é exagero. É cuidado preventivo, na mesma lógica de qualquer outra fase da vida — e a paciente sai da consulta sabendo o que esperar, em vez de adivinhar.

Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.

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Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.

Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.

Referências

CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Menopause, women’s health, and work. 14 nov. 2024. Disponível em: https://www.cdc.gov/womens-health/features/menopause-womens-health-and-work.html. Acesso em: 11 set. 2026.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Dia Nacional da Mulher: conheça os principais cuidados no climatério. 30 abr. 2024. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/dia-nacional-da-mulher-conheca-os-principais-cuidados-no-climaterio. Acesso em: 11 set. 2026.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Estilo de vida é base essencial para o cuidado da menopausa. 17 out. 2025. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/estilo-de-vida-e-base-essencial-para-o-cuidado-da-menopausa. Acesso em: 11 set. 2026.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. FEBRASGO apresenta novas diretrizes para a terapia de reposição hormonal durante climatério e menopausa. 21 out. 2024. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/febrasgo-apresenta-novas-diretrizes-para-a-terapia-de-reposicao-hormonal-durante-climaterio-e-menopausa. Acesso em: 11 set. 2026.

FEDERAÇÃO BRASILEIRA DAS ASSOCIAÇÕES DE GINECOLOGIA E OBSTETRÍCIA. Menopausa: cerca de 17 milhões de mulheres no Brasil estão no climatério. 12 set. 2025. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/noticia/menopausa-cerca-de-17-milhoes-de-mulheres-no-brasil-estao-no-climaterio/. Acesso em: 11 set. 2026.

FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Principais questões sobre promoção da saúde no climatério. 21 dez. 2020. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/principais-questoes-sobre-promocao-da-saude-no-climaterio/. Acesso em: 11 set. 2026.

LUI FILHO, J. F. et al. Epidemiologia da menopausa e dos sintomas climatéricos em mulheres de uma região metropolitana no sudeste do Brasil: inquérito populacional domiciliar. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, v. 37, n. 4, 2015. Disponível em: https://doi.org/10.1590/SO100-720320150005282. Acesso em: 11 set. 2026.

MACHADO, Rogério Bonassi et al. Prevalence and impact of vasomotor symptoms associated with menopause among women in Brazil: subgroup analysis from an international cross-sectional survey. Maturitas, v. 189, 108114, 2024. Disponível em: https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/39317029/. Acesso em: 11 set. 2026.

OLIVEIRA, Gláucia Maria Moraes de; ALMEIDA, Maria Cristina Costa de et al. Diretriz brasileira sobre a saúde cardiovascular no climatério e na menopausa – 2024. Arquivos Brasileiros de Cardiologia, v. 121, n. 7, e20240478, 2024. Disponível em: https://www.scielo.br/j/abc/a/fpRqtqpRp6YXLJmQTYSBggG?lang=pt. Acesso em: 11 set. 2026.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Menopause. 16 out. 2024. Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/menopause. Acesso em: 11 set. 2026.

SCLOWITZ, Iândora Krolow Timm; SANTOS, Iná da Silva dos; SILVEIRA, Mariângela Freitas da. Prevalência e fatores associados a fogachos em mulheres climatéricas e pós-climatéricas. Cadernos de Saúde Pública, v. 21, n. 2, p. 469-481, 2005. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/csp/2005.v21n2/469-481/pt/. Acesso em: 11 set. 2026.

Perguntas frequentes

Menopausa e climatério são a mesma coisa?

Não. O climatério é a fase de transição que começa antes da última menstruação e segue depois dela. A menopausa é um marco dentro dessa fase: o dia da última menstruação, confirmado após 12 meses consecutivos sem menstruar.

Com que idade a menopausa costuma acontecer?

Na maioria das mulheres, a menopausa acontece entre os 45 e os 55 anos. Antes dos 40 anos, ela é considerada precoce e merece avaliação médica.

Quais são os primeiros sintomas da menopausa?

O primeiro sinal costuma ser a irregularidade menstrual. Em seguida, podem surgir ondas de calor, suores noturnos, alterações do sono e do humor e ressecamento, com intensidade diferente em cada mulher.

Quanto tempo dura a fase de transição da menopausa?

A duração varia muito. A transição pode começar anos antes da última menstruação, com ciclos irregulares, e os sintomas podem persistir por tempos diferentes. Por isso, cada caso precisa de avaliação individual.

Toda mulher precisa de terapia hormonal na menopausa?

Não. A terapia hormonal é uma opção para aliviar sintomas em mulheres que se beneficiam dela, sempre decidida com a médica, conforme as diretrizes baseadas em evidências. Muitas mulheres não precisam de medicação.

O que é menopausa precoce?

É a menopausa que acontece antes dos 40 anos. Nesses casos, a queda antecipada do estrogênio merece atenção especial e acompanhamento médico próximo.

A menopausa aumenta o risco de doenças cardiovasculares?

Sim, a transição da menopausa está associada a mudanças que elevam o risco cardiovascular, tema da Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa (2024). Por isso, o acompanhamento ginecológico periódico avalia a saúde como um todo.

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