O diabetes gestacional é uma das intercorrências metabólicas mais comuns da gestação. Ele surge quando o corpo da mulher não consegue manter os níveis de açúcar no sangue dentro do esperado durante a gravidez. A boa notícia é que, com diagnóstico precoce e acompanhamento adequado, é possível controlar o quadro e proteger a saúde da mãe e do bebê.
Se você está grávida ou planejando uma gestação, entender o que é o diabetes gestacional, como ele é diagnosticado e o que fazer para controlar a glicose faz toda a diferença. Assim como outros cuidados importantes da gestação, como o corrimento na gravidez, o acompanhamento pré-natal é a chave para identificar e tratar o quadro a tempo — especialmente para quem vive em Taquara/RS e região.
Neste artigo, você vai entender o que causa o diabetes gestacional, quais os fatores de risco, como é feito o diagnóstico, quais os sintomas e, principalmente, como controlar a glicemia durante a gestação, sempre com base em fontes científicas confiáveis.
O que é diabetes gestacional?
O diabetes mellitus gestacional (DMG) é um tipo de diabetes que aparece pela primeira vez durante a gestação, em mulheres que não tinham diabetes antes de engravidar. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2013), o diabetes gestacional é a hiperglicemia detectada pela primeira vez na gestação que não se enquadra nos critérios de diabetes fora da gravidez.
Na prática, o pâncreas não produz insulina suficiente para a demanda da gestação, ou a insulina produzida não age como deveria. O resultado é o aumento do açúcar no sangue, a chamada hiperglicemia. Conforme a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD, 2022), o diabetes gestacional é definido como uma intolerância aos carboidratos de gravidade variável, que se inicia durante a gestação, mas não preenche os critérios de diabetes fora dela.
O quadro costuma se manifestar por volta da 24ª semana de gestação. Por isso, o CDC (2025) recomenda que todas as gestantes sejam testadas entre a 24ª e a 28ª semana, mesmo sem sintomas. Estima-se que o diabetes gestacional afete de 3% a 25% das gestações, dependendo do grupo étnico e do critério diagnóstico utilizado (SBD, 2022).
Essa variação é grande justamente porque a prevalência depende dos critérios diagnósticos e da população estudada. No Brasil, uma revisão sistemática com metanálise publicada nos Cadernos de Saúde Pública estimou a prevalência de diabetes gestacional em 14% (IC 95%: 11–16), reunindo 32 estudos e mais de 21,9 mil mulheres (Mocellin et al., 2024). A FEBRASGO (2018) estima ainda que, no SUS, a prevalência seja de cerca de 18% com os critérios atuais. Ou seja: aproximadamente 1 em cada 7 gestantes brasileiras pode apresentar o quadro — um motivo a mais para levar o rastreamento a sério.
Quem tem mais risco de desenvolver diabetes gestacional?
Alguns fatores aumentam a chance de desenvolver diabetes gestacional. Segundo a SBD (2022), os principais são:
- Idade materna avançada
- Sobrepeso e obesidade
- História familiar de diabetes em parentes de primeiro grau
- Síndrome dos ovários policísticos (SOP)
- Ganho excessivo de peso na gestação atual
- Diabetes gestacional em gestação anterior
- Bebê anterior nascido com peso elevado (macrossomia)
- Hipertensão ou pré-eclâmpsia na gestação atual
O CDC (2025) acrescenta ainda o histórico de ter dado à luz um bebê com mais de 4 kg e a síndrome dos ovários policísticos como fatores de risco. A FEBRASGO (2018) também cita a obesidade e o ganho de peso muito grande durante a gravidez.
Ter um ou mais desses fatores não significa que você terá diabetes gestacional. Significa apenas que o acompanhamento pré-natal deve ser ainda mais atento.
Quais são os sintomas do diabetes gestacional?
O diabetes gestacional, na maioria dos casos, não causa sintomas. Por isso, ele é considerado uma condição assintomática, e o diagnóstico depende da realização dos exames de rastreamento. Conforme o CDC (2025), o diabetes gestacional pode não causar sintomas, e é por isso que o teste entre a 24ª e a 28ª semana é tão importante.
Quando a glicemia está muito elevada, alguns sinais podem aparecer, como sede excessiva, vontade frequente de urinar e cansaço. Porém, esses sintomas são comuns na gestação e podem passar despercebidos. Por isso, o rastreamento universal é a forma mais segura de identificar o quadro.
Como é feito o diagnóstico do diabetes gestacional?
O diagnóstico do diabetes gestacional é feito por exame de sangue. No Brasil, o rastreamento é universal, ou seja, todas as gestantes devem ser avaliadas, independentemente de fatores de risco. Essa recomendação faz parte do consenso entre a SBD, a FEBRASGO, a OPAS e o Ministério da Saúde (OPAS, 2017).
Na primeira consulta de pré-natal, é feita a glicemia de jejum. Segundo a SBD (2022):
- Glicemia de jejum abaixo de 92 mg/dL: normal, mas o teste oral de tolerância à glicose deve ser feito entre a 24ª e a 28ª semana
- Glicemia de jejum entre 92 e 125 mg/dL: indica diabetes gestacional
- Glicemia de jejum igual ou acima de 126 mg/dL: indica diabetes diagnosticado na gestação
Entre a 24ª e a 28ª semana, é realizado o teste oral de tolerância à glicose (TOTG) com 75 gramas de glicose. O diagnóstico de diabetes gestacional é confirmado quando pelo menos um dos valores está alterado, conforme os critérios da OMS de 2013 (OMS, 2013) e da SBD (2022):
- Jejum: igual ou acima de 92 mg/dL
- 1 hora após a sobrecarga: igual ou acima de 180 mg/dL
- 2 horas após a sobrecarga: igual ou acima de 153 mg/dL
Esses critérios foram propostos pela IADPSG, com base no estudo HAPO, e referendados pela OMS em 2013. A FEBRASGO (2018) considera o TOTG com 75 g o teste com melhor sensibilidade e especificidade para o diagnóstico.
Como controlar o diabetes gestacional?
O controle do diabetes gestacional tem como objetivo manter a glicemia dentro das metas para proteger a saúde da mãe e do bebê. O tratamento começa com mudanças no estilo de vida e, quando necessário, evolui para a medicação.
Alimentação e atividade física
O primeiro passo é a adequação da alimentação e a prática regular de atividade física. Segundo o CDC (2025), comer alimentos saudáveis nas quantidades e horários certos e ser ativa ajudam a reduzir o açúcar no sangue e aumentam a sensibilidade à insulina. Caminhadas são uma boa opção, sempre com orientação médica.
Na prática, a orientação costuma incluir refeições em horários regulares, com distribuição equilibrada de carboidratos ao longo do dia e prioridade para alimentos integrais, verduras, legumes e proteínas magras. Conforme o Portal de Boas Práticas da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz, 2022), a terapia nutricional é o pilar inicial do tratamento durante a gestação, combinada com a prática regular de atividade física.
Monitoramento da glicemia
O controle exige o monitoramento da glicemia capilar. A SBD (2022) recomenda as seguintes metas durante a gestação:
- Jejum: entre 65 e 95 mg/dL
- 1 hora após as refeições: abaixo de 140 mg/dL
- 2 horas após as refeições: abaixo de 120 mg/dL
Medicação: insulina e metformina
Quando alimentação e atividade física não são suficientes para atingir as metas, a medicação entra em cena. A insulina é a primeira escolha de tratamento farmacológico no diabetes gestacional, conforme a SBD (2026) e a OMS (2013). A dose é sempre individualizada e ajustada pelo médico conforme a idade gestacional, o peso e o controle glicêmico de cada paciente.
A metformina é uma alternativa terapêutica, indicada quando a insulina não é viável, também sob avaliação médica. O início da terapia farmacológica é considerado quando duas ou mais medidas de glicemia ficam acima da meta após 7 a 14 dias de tratamento não farmacológico, segundo a SBD (2026). O uso de glibenclamida não é recomendado na gestação.
Quais são as complicações do diabetes gestacional?
Quando não controlado, o diabetes gestacional aumenta o risco de complicações para a mãe e para o bebê. Segundo a SBD (2022), as principais complicações maternas incluem pré-eclâmpsia e desordens hipertensivas da gravidez, polidrâmnio e maior chance de cesariana. Para o bebê, destacam-se a macrossomia, a hipoglicemia neonatal, a prematuridade e o desconforto respiratório.
A macrossomia, que é o bebê nascer grande para a idade gestacional, é a principal complicação fetal. Conforme a FEBRASGO (2018), ela se associa à obesidade infantil e ao risco aumentado de síndrome metabólica na vida adulta. Quando o quadro não é bem controlado, pode haver risco de morte fetal.
A boa notícia é que o tratamento eficaz reduz esses riscos. Estudos indicam que o controle adequado do diabetes gestacional diminui a frequência de macrossomia, distocia de ombro, cesariana e pré-eclâmpsia, conforme a OPAS (2017).
E depois do parto?
Na maioria dos casos, a glicemia volta ao normal após o parto. Porém, a mulher que teve diabetes gestacional tem risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro. Segundo a RBGO (Pereira et al., 2014), cerca de um terço das mulheres com diabetes gestacional desenvolve diabetes ou intolerância à glicose no seguimento pós-parto.
Por isso, o rastreamento pós-parto é essencial. A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz, 2022) destaca que a detecção e o tratamento precoce do diabetes tipo 2 reduzem o risco de complicações cardiovasculares e microvasculares. O acompanhamento deve incluir novos testes de glicemia no pós-parto e em intervalos regulares, conforme a RBGO (Pereira et al., 2014), para identificar precocemente diabetes ou intolerância à glicose.
Além disso, quem teve diabetes gestacional tem risco de recorrência em gestações futuras, o que reforça a importância do planejamento e do acompanhamento.
Quando procurar o ginecologista
Se você está grávida, o acompanhamento pré-natal regular é fundamental para o rastreamento do diabetes gestacional. Se você já recebeu o diagnóstico, o acompanhamento próximo com o ginecologista e a equipe de saúde garante o controle adequado da glicemia.
Também vale procurar o ginecologista se você teve diabetes gestacional em uma gestação anterior e está planejando uma nova gravidez, ou se apresenta fatores de risco, como sobrepeso, obesidade ou histórico familiar de diabetes. Manter o acompanhamento ginecológico em dia, como o check-up ginecológico por idade, é uma forma de cuidar da sua saúde a longo prazo.
Se você está em Taquara/RS ou região e quer avaliação com atendimento acolhedor e exclusivamente particular — presencial ou online —, a Dra. Daniela Correia está disponível para te atender e investigar o que está acontecendo com método, do sintoma à causa.
Agende sua consulta pelo WhatsApp
Este conteúdo tem caráter informativo e educacional e não substitui avaliação médica individual. Em caso de sintomas, procure um profissional qualificado.
Conteúdo revisado pela Dra. Daniela Correia — CRM-RS 48224 | RQE 37922.
Referências
- CENTERS FOR DISEASE CONTROL AND PREVENTION. Gestational diabetes. Atlanta: CDC, 2025. Disponível em: https://www.cdc.gov/diabetes/about/gestational-diabetes.html. Acesso em: 13 set. 2026.
- FEBRASGO. Protocolo FEBRASGO para o manejo de diabetes gestacional. São Paulo: FEBRASGO, 2018. Disponível em: https://www.febrasgo.org.br/pt/noticias/item/530-protocolo-febrasgo-para-o-manejo-de-diabetes-gestacional. Acesso em: 13 set. 2026.
- FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Diabetes mellitus na gestação: cuidados no parto e puerpério. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, 2022. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/diabetes-mellitus-na-gestacao-parto-puerperio/. Acesso em: 13 set. 2026.
- FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. Diabetes mellitus na gestação: tratamento e cuidados no pré-natal. Portal de Boas Práticas em Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente, 2022. Disponível em: https://portaldeboaspraticas.iff.fiocruz.br/atencao-mulher/diabetes-mellitus-na-gestacao-tratamento-e-cuidados-no-pre-natal/. Acesso em: 13 set. 2026.
- MOCELLIN, L. P. et al. Prevalência de diabetes gestacional no Brasil: revisão sistemática e metanálise. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 40, n. 8, 2024. Disponível em: https://cadernos.ensp.fiocruz.br/ojs/index.php/csp/article/view/8672. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Diagnostic criteria and classification of hyperglycaemia first detected in pregnancy. Genebra: OMS, 2013. Disponível em: https://www.who.int/publications/i/item/WHO-NMH-MND-13.2. Acesso em: 13 set. 2026.
- ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Rastreamento e diagnóstico de diabetes mellitus gestacional no Brasil. Brasília: OPAS, 2017. Disponível em: https://iris.paho.org/handle/10665.2/34278. Acesso em: 13 set. 2026.
- PEREIRA, B. G. et al. Diabetes gestacional: seguimento após o parto. Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia, 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbgo/a/NJtYSVRdDzHfHs5BpfjzQVk/. Acesso em: 13 set. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Planejamento, metas e monitorização do diabetes durante a gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/planejamento-metas-e-monitorizacao-do-diabetes-durante-a-gestacao/. Acesso em: 13 set. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Rastreamento e diagnóstico da hiperglicemia na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2022. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/rastreamento-e-diagnostico-da-hiperglicemia-na-gestacao. Acesso em: 13 set. 2026.
- SOCIEDADE BRASILEIRA DE DIABETES. Tratamento farmacológico do diabetes na gestação. Diretriz da Sociedade Brasileira de Diabetes, 2026. Disponível em: https://diretriz.diabetes.org.br/tratamento-farmacologico-do-diabetes-na-gestacao. Acesso em: 13 set. 2026.
Perguntas frequentes
Diabetes gestacional tem cura?
Na maioria dos casos, o diabetes gestacional se resolve após o parto, com a normalização da glicemia. Durante a gestação, o quadro tem tratamento eficaz, baseado em alimentação, atividade física e, quando necessário, medicação, sempre sob acompanhamento médico.
Diabetes gestacional passa depois do parto?
Na maioria dos casos, a glicemia volta ao normal após o parto. Porém, a mulher que teve diabetes gestacional tem risco aumentado de desenvolver diabetes tipo 2 no futuro, por isso o rastreamento pós-parto é essencial.
Quem teve diabetes gestacional pode ter diabetes tipo 2 depois?
Sim, na maioria dos casos há risco aumentado. Estudos indicam que cerca de um terço das mulheres com diabetes gestacional desenvolve diabetes ou intolerância à glicose no seguimento pós-parto. Por isso, o acompanhamento periódico é fundamental.
Preciso tomar insulina se tiver diabetes gestacional?
Nem sempre. Muitas mulheres controlam o diabetes gestacional apenas com alimentação e atividade física. Quando as metas glicêmicas não são atingidas, a insulina é a primeira escolha de tratamento farmacológico, sempre com orientação médica.
Diabetes gestacional faz mal para o bebê?
Quando não controlado, o diabetes gestacional aumenta o risco de complicações, como o bebê nascer grande para a idade gestacional. Com controle adequado da glicemia, esses riscos diminuem de forma significativa.
Posso ter parto normal com diabetes gestacional?
Sim, na maioria dos casos. A via de parto é decidida individualmente, considerando o controle glicêmico, o peso do bebê e as condições da gestação. O acompanhamento médico define a melhor conduta para cada caso.
Diabetes gestacional pode voltar em outra gravidez?
Sim, na maioria dos casos existe risco de recorrência em gestações futuras. Por isso, quem já teve diabetes gestacional deve planejar a próxima gestação com acompanhamento médico desde o início.
Artigos relacionados

Vaginose bacteriana: sintomas, causas e tratamento
Vaginose bacteriana: entenda sintomas, causas e tratamento, e saiba quando procurar o ginecologista.
Ler artigo
Tricomoníase: sintomas, causas e tratamento
Tricomoníase é uma IST tratável. Entenda sintomas, causas e tratamento com base em evidências.
Ler artigo
TPM × TDPM: quando é mais que TPM
TPM intensa pode ser TDPM, um transtorno que merece tratamento. Saiba reconhecer a diferença e buscar ajuda.
Ler artigo
